AutoData - Dívidas. Na Argentina montadoras acumulam US$ 600 milhões.
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29/05/2017

Dívidas. Na Argentina montadoras acumulam US$ 600 milhões.

Por Redação AutoData

- 29/05/2017

A flexibilização nos controles de cumprimento do acordo automotivo com o Brasil, e a valorização cambial, fizeram com que as fabricantes de veículos instaladas na Argentina acumulassem dívida de US$ 600 milhões com o Estado, por superar o limite das importações que são livres de imposto. Foi o que constatou o informe Observatório de Políticas Públicas da Universidade Nacional de Avellaneda, Undav, segundo a revista América Economia.

De acordo com o estudo as mudanças normativas inseridas há ano e meio no regime comercial e na flexibilização dos impostos internos dos veículos de maior valor agregado, influenciaram negativamente o desempenho do setor produtivo local. O coeficiente de intercâmbio flex, fórmula acordada com o Brasil e que tem vigência de quatro anos, estabelece que por 1 dólar que a Argentina exporta ao mercado brasileiro em veículos e autopeças pode importar US$ 1,50 livre de imposto.

O estudo considerou que “o incremento das vendas de veículos aconteceu, em maior medida, sobre as unidades do segmento de maior valor agregado e, por sua vez, ganharam prevalência as unidades importadas do Brasil em detrimento daquelas produzidas localmente”.

As exportações do setor automotivo argentino no primeiro quadrimestre do ano alcançaram US$ 1 bilhão 559 milhões, e as importações chegaram a US$ 3 bilhões 389 milhões. Essa corrente de comércio resultou em déficit comercial de US$ 1 bilhão 830 milhões. A balança comercial deficitária se explica pelo aumento nas importações de 37,3% no período. Já as exportações cresceram 4,4% de janeiro a abril.

O Observatório de Políticas Públicas da Undav assinalou que por falta de controle e de políticas de abertura comercial, as empresas importadoras excederam em 240% a cota estabelecida no acordo automotivo com o Brasil. Segundo o estudo as importações do complexo automotivo no primeiro trimestre apontaram aumento de quase 40% com relação ao mesmo período de 2016. No entanto, no mesmo período a produção local caiu pela segunda vez, consecutivamente.

O aumento das vendas em 2016, de 10,22%, foi acompanhado por uma queda na produção na mesma proporção, 10,23%. O recuo na montagem local foi coberto por uma avalanche de importações no ano, que alcançou alta de 45,45%. O estudo concluiu que “a tendência não parece ser revertida este ano, pois no primeiro quadrimestre foi registrada a diminuição da produção local em torno de 10%, enquanto as vendas cresceram 14,6%”. De acordo com o estudo, ao não regulamentar a forma de pagamento das penalidades às empresas que superaram a cota, o governo mantém um saldo a favor de US$ 600 milhões.


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