Após quatro anos de queda, o mercado automotivo esboça uma estabilização em 2017, com uma recuperação gradual. As vendas de veículos devem apresentar crescimento de 0,4% enquanto que a produção deve aumentar 12% neste ano. Em meio a este cenário de incertezas políticas e econômicas, três fatores têm movimentado o setor automotivo. De acordo com Fernando Trujillo, diretor da IHS Brasil, são: a mudança no perfil do consumidor, o aumento da competitividade nas montadoras e a nova legislação.
Trujillo, disse, durante o Seminário AutoData Tendências de Negócios, que as fabricantes já estão atentas ás mudanças do cliente, que já está mais exigente com itens de tecnologia e conforto. Segundo ele, os novos consumidores são formados pela Geração Z, que reúne pessoas de até dezenove anos e corresponde a 20% da população brasileira. Essa geração tem forte familiaridade com conectividade e consciência ambiental. Mais de um terço deles acredita que o maior problema é o alto custo de manter um automóvel.
“As fabricantes estão começando a se preocupar com mobilidade e não focar apenas na produção de veículos. A General Motors, por exemplo, está testando um modelo de carro compartilhado na sua fábrica em São Caetano do Sul.”
Outro ponto destacado por Trujillo é a competitividade no mercado brasileiro. As montadoras asiáticas como Toyota, Honda e Hyundai, apostam em lançamentos como os modelos SUV, cuja procura tem aumentado. Já as tradicionais Fiat, GM e Volkswagen só irão lançar os modelos SUV em seu portfolio em 2019.
Essa estratégia das asiáticas fez com que as suas fábricas trabalhassem com um nível de ocupação adequado para o mercado atual. Já as fabricantes tradicionais estão trabalhando com altas taxas de ociosidade. A taxa de ociosidade da unidade da Fiat em Betim, MG, por exemplo, é de 60% enquanto que a taxa nas fábricas das montadoras asiáticas é de 30%. Para tentar reverter esse quadro, a Fiat lançou na quarta-feira, dia 31, o modelo Fiat Argo.
A renovação da frota também tem mexido com o mercado. Segundo Trujillo, na nova política industrial do setor, o Rota 2030, o governo brasileiro deve aumentar os índices de eficiência energética dos veículos produzidos aqui: “O Inovar-Auto, a política atual, já prevê veículos mais eficientes. No Rota 2030 e deverá conter novas ações, além daquelas ligadas à eficiência energética”.
Notícias Relacionadas
Últimas notícias