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08/06/2017

Brasil de fato no fim da recessão?

Por Mônica Cardoso

- 08/06/2017

A economia brasileira cresceu 1% no primeiro trimestre com relação ao quarto trimestre de 2016, garante o IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pelo levantamento esta foi a primeira alta do PIB, Produto Interno Bruto, após oito trimestres consecutivos de queda. No entanto na comparação com o mesmo período do ano anterior o PIB recuou 0,4%.

A alta do PIB teria sido puxada pelo bom desempenho da agropecuária, que cresceu 13,4% com relação ao trimestre anterior, com safra recorde de soja e boa colheita de milho. Já a indústria cresceu 0,9% diante do desempenho de outubro a dezembro do ano passado, mas caiu 1,1% com relação ao primeiro trimestre de 2016.

Vicente Koki, analista chefe da Diamond Mountain Investimentos, disse que o bom resultado do agronegócio foi um ponto fora da curva, ajudado por excelentes safras: “A crise política contamina o mercado e não sabemos se o atual governo irá se manter ou se teremos uma mudança, o que pode gerar novas políticas econômicas”.

Para Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz do Brasil & CEO para a América Latina, o crescimento do PIB, após dois anos de queda, é um sinal positivo, pois esse é um dos principais indicadores da economia. Mas, ele ressaltou, o PIB em alta ainda não se refletiu no mercado de veículos comerciais: “Esperamos que as reformas estruturais sejam rapidamente decididas para termos aquele impulso de confiança que nosso mercado precisa e também para aquecer de vez a demanda do mercado interno”.

O agronegócio tem um reflexo direto no segmento de transportes, pois os caminhões são necessários para o escoamento da produção. Segundo Agostinho Celso Pascalicchio, professor da Universidade Mackenzie, a demanda reprimida por caminhões e a elevada idade da frota podem impulsionar as vendas: “O resultado positivo mostra uma reversão dos dois anos anteriores de recessão, mas a recuperação será lenta”.

Para Alarico Assumpção Júnior, presidente da Fenabrave, a tendência de recuperação da economia vem se confirmando, mesmo em meio a um ambiente político incerto: “A economia voltou a crescer após oito trimestres seguidos de queda. Os indicadores positivos refletem diretamente em nosso setor, pois ampliam a confiança do consumidor”.

Investimentos – A manutenção do crescimento econômico é questionável quando se analisa os indicadores dos investimentos, que caíram 1,6% com relação ao quarto trimestre de 2016 e 3,7% no comparativo com o primeiro trimestre de 2016 – ao aumentar a produção a empresa investe em bens de capital.

Pascalicchio, da Universidade Mackenzie, ressaltou que os investimentos têm efeito multiplicador na manutenção do crescimento do PIB a médio e longo prazo: “Eles são essenciais para aquecer a economia e diminuir a capacidade ociosa da indústria”.

Para a Abimaq, Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, é necessária uma política de incentivos no curto prazo para sustentar o crescimento do PIB no primeiro trimestre. João Carlos Marchesan, presidente do conselho de administração da entidade, disse, em nota, que essas medidas podem fazer com que o País deixe definitivamente a recessão fazendo com que o crescimento registrado no primeiro trimestre não seja, de fato, um “falso positivo”.


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