A aquisição de cotas de consórcio de veículos pesados, máquinas agrícolas e implementos rodoviários, cresceu 20% no primeiro quadrimestre do ano, puxada pelos negócios no setor agropecuário. De janeiro a abril foram vendidas 14,5 mil novas cotas, totalizando uma carteira de R$ 2,7 bilhões. Em idêntico período do ano passado foram 11 mil 780 novas cotas, que formaram carteira de R$ 1 bilhão 76 milhões. O valor médio do crédito adquirido foi de R$ 146 mil 40 reais, valor que representa retração de 1,6% com relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com dados da Abac, a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios.
O consórcio é historicamente utilizado por empresas que investem para atender demandas de longo prazo, ainda que as linhas de crédito do BNDES, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social, como Finame e Moderfrota, e outras linhas dos bancos de varejo, sejam as mais procuradas por empresas que buscam renovação de suas frotas. No quadrimestre analisado pela Abac a concentração de novos consorciados se deu em Mato Grosso, tradicional área agrícola especializada no plantio de grãos.
Para Fernando Di Diego, gerente de produto e mercado da Sicredi, cooperativa de crédito que nasceu no Rio Grande do Sul, muitos transportadores e fornecedores de implementos agrícolas estabeleceram planos de renovação de frota para atender à evolução da safra brasileira, 233,1 milhões de toneladas, considerada novamente recorde:
“O aumento da participação do consórcio como modalidade de compra de bens pode ser visto como um reflexo da melhora do planejamento das empresas. O setor agrícola tem mais previsibilidade que outros neste sentido, e isso torna viável a aquisição de veículos no longo prazo”.
No ano passado o volume de crédito concedido via consórcio deu indícios de que aumentaria sua participação na compra de veículos pesados. A média nacional de potencial participação foi de 60,1%, ou seja, seis de cada dez unidades poderiam ter sido comercializadas pelo consórcio. Em 2015 atingiu 44,5%, sendo 15,6 pontos porcentuais abaixo.
Os créditos, à época, também estiveram concentrados em estados onde o agronegócio tem parcela significativa na composição da economia local. O Mato Grosso respondeu por 211,3% do potencial de compra. Logo em seguida vieram Rio Grande do Sul e Goiás, com 96,3% e 86,2%, respectivamente. Os principais desempenhos regionais ficaram com Centro-Oeste, 115%, e Sul, 69,7%.
De 2006 até hoje a carteira de consórcio da Sicredi alcançou R$ 10 bilhões, sendo R$ 3,4 bilhões empregados na aquisição de veículos pesados, ou 34%. Outros 25% foram desembolsados para aquisições de veículos leves. Dos R$ 3,4 bilhões R$ 1,5 bilhão já foi pago pelos consorciados, informou Di Diego. Isso significa, segundo ele, que as empresas que contrataram os consórcios o fizeram por terem garantias de rentabilidade de seus negócios, o que reduziu a taxa de inadimplência do segmento na empresa.
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