Depois de dois anos com quedas nas contratações e demissões, as empresas do setor automotivo voltaram a contratar. As vagas no primeiro semestre deste ano aumentaram 40% em comparação com o mesmo período de 2016, de acordo com o levantamento da empresa de recrutamento e seleção Robert Half, que atende mais de cem grandes montadoras e sistemistas. Na comparação com o último semestre do ano passado, a alta é de 30%.
As maiores demandas foram nas áreas de vendas, industriais, engenharia de projetos, produtos e qualidade, de acordo com Isis Borge, gerente de divisão da Robert Half: “Os setores automotivo, de construção civil e óleo e gás foram os mais afetados pela crise econômica e agora são os que demonstram retomada mais significativa. Era um cenário caótico com demissões todos os meses, programas de demissões voluntárias e agora estamos vivendo um momento muito positivo”.
Em 2015 e 2016, as vagas abertas eram apenas para substituições de profissionais e não para aumento de quadros de funcionários. As áreas de engenharia e desenvolvimento de novos projetos sofreram cortes significativos. Profissionais brasileiros especializados em engenharia e design foram transferidos para outros países como Estados Unidos, China, Índia e Tailândia. Por sua vez, as áreas de compras e controladoria estavam mais em alta, pois o foco era reduzir custos, visando aumentar lucratividade e garantir a precisão dos números.
Neste ano, o cenário é bem diferente: “Este ano, temos aberturas de novas vagas e de áreas diferentes. Para contratar um bom profissional, as empresas estão dispostas a negociar um reajuste de até 20% nos salários”. Outro ponto positivo é que as contratações nas montadoras alavancam a abertura de novos postos de trabalho nas fabricantes de autopeças.
Por enquanto, as movimentações não são sentidas em grandes volumes nas fábricas das montadoras: “A princípio, as contratações nas áreas administrativas são mais visíveis. Nas áreas fabris, os empregos costumam surgir em uma segunda etapa”.
Algumas montadoras, no entanto, sinalizam que retomaram a produção. A MAN Latin America, em Resende, RJ, voltou a trabalhar cinco dias por semana, dando fim à redução de jornada iniciada em 2015. Já a Nissan informou que irá contratar seiscentos funcionários para a abertura de segundo turno de trabalho para a produção do Kicks e também a contratação de mais 1,2 mil indiretos para a fábrica de Resende, RJ.
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