A indústria de caminhões, ônibus, implementos rodoviários e sua rede de distribuição começam 2015 refazendo contas e projeções. Nos últimos dias de dezembro o governo publicou a aguardada medida provisória que regulamenta o PSI, Programa de Sustentação do Investimento, no novo exercício. As alterações, porém, não agradaram.
A taxa de juros para aquisição de caminhões e ônibus para pequenas empresas passou de 6% para 9,5% ao ano, enquanto que para as grandes empresas o índice agora é de 10% ao ano. A modalidade de financiamento simplificada, entretanto, foi mantida.
A linha Procaminhoneiro teve elevação de 6% para 9% ao ano e a TJLP, Taxa de Juros de Longo Prazo, outra ferramenta importante no segmento, também subiu: de 5% para 5,5% ao ano.
No entanto, mesmo com alta nas taxas de juros, o porcentual financiado pelo PSI no exercício preocupa mais: pelas novas regras o BNDES deixa de financiar 100% do valor do veículo, passando a 50% para grandes empresas e 70% para as pequenas.
Segundo concessionários consultados pela Agência AutoData tanto as pequenas e médias quanto as grandes empresas têm dificuldade de renovar suas frotas pagando de 30% a 50% de entrada.
“É prática comum o concessionário financiar, com recursos de suas revendas, o porcentual de entrada. Chegamos a parcelar em até cinco vezes de 10% e 20% exigidos pelo Finame PSI em alguns meses no ano passado. Isso passa a ser impraticável pela nova regra, pois não temos capital de giro suficiente para 30% ou 50%, o que deve dificultar ainda mais os investimentos dos empresários”, considerou fonte ligada à rede de grande marca de caminhões e ônibus.
No entendimento dos revendedores o PSI pode tornar-se inviável: “É preferível a modalidade TJLP, com juros pós-fixados, que exige entrada de 10%”.
A Anfir, Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários, considerou em nota que as medidas do governo devem reduzir as vendas do segmento, ao menos no primeiro trimestre. Alcides Braga, presidente da associação, comentou: “A indústria espera que os bancos comerciais entrem firmes no complemento do valor dos bens, com taxas competitivas para motivar os clientes e o mercado a fazer aquisições sem desembolso de capital de giro. O ano de 2014 não foi bom para a maioria dos negócios e por isso as empresas terão dificuldades em adquirir novos produtos ou mesmo renovar suas frotas”.
Fechamento do ano – Em 2014 foram emplacados 135 mil 546 caminhões, segundo dados preliminares do Renavam obtidos com exclusividade pela Agência AutoData. Para 2015 a estimativa de alta de 3% traçada em dezembro já pode ser considerada, segundo representantes da rede de distribuição, difícil de alcançar.
“Contávamos, sim, com a alta no PSI. Mas não com a entrada de até 50%, o que afeta o mercado, acenando para estabilidade ou, mais provável, queda.”
Os chassis de ônibus fecharam 2014 com 27 mil 540 emplacamentos e o viés é de alta neste ano mesmo com as novas regras, entende a fonte. “Há uma série de renovações de frota postergadas há anos. Com o reajuste de tarifas as compras deverão ocorrer e elevar o mercado em até 10%.”
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