O menor ritmo produtivo apresentado por alguns segmentos da indústria automotiva passa longe da Thermo King, fabricante de aparelhos de ar-condicionado para ônibus instalada em Curitiba, PR.
Segundo Paulo Lane, diretor de marketing e produto para América Latina, as linhas da empresa só pararam para as férias coletivas, concedidas nas últimas semanas de 2014. “Foram apenas nove dias úteis, que utilizamos para manutenção de equipamentos, pois a demanda está aquecida.”
O diretor comemora os resultados e está confiante na evolução dos contratos de fornecimento nos próximos anos. “Em 2011 apenas 3% dos ônibus urbanos vendidos no País, em média, eram equipados com ar-condicionado. Hoje essa fatia saltou para 15%, com picos de 30% em alguns meses.”
Sem revelar números absolutos o diretor afirma que a Thermo King fechou 2014 com alta produtiva de 20%. Para este ano a estimativa de acréscimo é de mais 20%:
“O transporte brasileiro está em evolução. A entrada em cena dos sistemas BRT ajudou nesse processo: os passageiros hoje querem ar-condicionado, letreiros com a previsão do horário de chegada dos ônibus aos pontos, segurança e conforto em todas as linhas”.
A atual capacidade instalada é de 2,6 mil unidades/ano, mas espaço para crescer não falta, garante Lane: “Com a mudança de Londrina para Curitiba, em 2010, a empresa expandiu a área da fábrica em 60% já prevendo alta na demanda. Assim, podemos ampliar rapidamente a capacidade produtiva caso necessário”.
No município de São Paulo, que abriga a maior frota de ônibus urbanos do País, Lane calcula que apenas 0,4% dos veículos têm ar-condicionado. Mas na quinta-feira, 22, o prefeito Fernando Haddad mandou publicar no Diário Oficial do Município portaria determinando que “todos os veículos vinculados aos serviços de transporte coletivo de passageiros deverão ter equipamentos de ar-condicionado”.
Para o executivo a iniciativa da prefeitura paulistana “sem dúvida representa uma grande oportunidade de negócio. Ainda não sabemos qual será o cronograma, que deverá ser apresentado em reunião na SPTrans terça-feira, 27, junto com fabricantes de chassis e encarroçadores, para debater o tema”.
Movimentos nesta direção ocorrem em diversos municípios: no Rio de Janeiro 30% da frota circulante tem ar-condicionado e o cronograma prevê salto a 80% até 2016. Em Fortaleza toda a frota deverá ter ar-condicionado até 2020 e, em Porto Alegre, até 2024.
“Esses prazos podem ser alterados pelos respectivos governos. De todo modo é um sinal positivo para a indústria.”
Lane vê também boas perspectivas os possíveis contratos de fornecimento para ônibus rodoviários. “O segmento está parado, aguardando a oficialização da regulamentação das linhas interestaduais. Como o porcentual de rodoviários com ar-condicionado está na faixa de 75% a 80%, as novas aquisições certamente contemplarão sistemas de refrigeração, o que deve ampliar as vendas.”
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