São Paulo – A Renault iniciou 2026 com avanço de receita e desempenho comercial misto entre suas marcas, em um trimestre marcado pela expansão dos veículos eletrificados e pelo crescimento em mercados fora da Europa. Entre janeiro e março, a marca Renault somou 397.602 veículos vendidos globalmente, alta de 2,2% na comparação anual sendo 314 mil 420 automóveis, +1,1%, e 83 mil 182 comerciais leves (+6,6%).
No recorte regional, a Europa concentrou 255,2 mil unidades, com crescimento de 3,8%, acompanhando o ritmo do mercado. O destaque ficou para a eletrificação: os modelos eletrificados já representam mais de 65% das vendas de veículos de passeio da marca na região, com os elétricos avançando mais de 40% no trimestre. Os híbridos também ganharam espaço e já respondem por mais de 40% das vendas de automóveis, sustentando a estratégia da montadora.
O desempenho, no entanto, foi desigual entre as marcas. A Dacia registrou 145 mil 335 unidades vendidas, queda de 16,3%, impactada por atrasos logísticos no início do ano e pela transição de portfólio. Ainda assim, manteve presença entre as dez marcas mais vendidas na Europa e forte atuação no varejo, que respondeu por 77% das vendas. Já a Alpine avançou 54,7%, com 3 mil 246 veículos vendidos, impulsionada pela ampliação da gama e da rede comercial.
No consolidado, o grupo vendeu 546 mil 183 veículos no trimestre, retração de 3,3% frente ao mesmo período de 2025. Apesar da queda em volume, o faturamento cresceu: a receita total atingiu € 12,53 bilhões, alta de 7,3%, ou 8,8% em câmbio constante. A divisão automotiva respondeu por € 10,8 bilhões, +6,5%, enquanto a Mobilize Financial Services registrou € 1,72 bilhão, avanço de 13%, com crescimento da carteira média de crédito para € 61,9 bilhões, +4,8%.
Entre os fatores que explicam a evolução da receita estão o efeito negativo de volume, -2,1 pontos, com queda de 3,3% nos emplacamentos, compensado por ganhos com vendas a parceiros, +5,9 pontos, mix de produtos +2,6 pontos e preços +1 ponto. O grupo também reportou impacto cambial negativo de -1,5 ponto, pressionado principalmente pela desvalorização da lira turca e do peso argentino.
O nível de estoques globais somava 554 mil veículos ao fim de março, sendo 335 mil em concessionárias independentes e 219 mil sob controle do grupo, patamar que, segundo a empresa, deve sustentar o desempenho do segundo trimestre.
Nos veículos comerciais leves, houve recuperação após um ano de transição: as vendas cresceram 6,6% globalmente e 15,1% na Europa, indicando retomada da operação nesse segmento.
Fora da Europa, o grupo ampliou presença com crescimento expressivo em mercados como Índia +47,6%, Marrocos +20,2% e Colômbia +10,1%. Na Turquia, manteve a liderança de mercado, com 32.244 unidades vendidas +12,9%, mesmo com retração do setor local.
Entre os principais mercados globais, o Brasil aparece na 7ª posição, com 29 mil 854 veículos vendidos e 5% de participação, atrás de França, Itália, Espanha, Turquia, Reino Unido e Alemanha. A liderança segue com a França, que concentra 133 mil 077 unidades e 27,1% de market share, seguida por Itália, 49.725 / 9,3%, e Espanha, 39.143 / 11,2%.
A empresa manteve suas projeções para 2026, com expectativa de margem operacional em torno de 5,5% e fluxo de caixa livre de cerca de € 1 bilhão na divisão automotiva.