A Anfavea levou a Brasília a proposta de criação de uma zona industrial de autopeças para o Mercosul, batizado Projeto Tríplice Fronteira. A informação foi revelada com exclusividade por Luiz Moan, presidente da associação, durante o Workshop Tendências Setoriais – Máquinas Agrícolas e de Construção, realizado por AutoData no Milenium Centro de Convenções em São Paulo.
Segundo Moan o objetivo é fortalecer a base fornecedora de autopeças com a produção dos componentes em região fronteiriça que engloba o Sul do Brasil, Nordeste do Paraguai e Norte da Argentina.
“Como produtores de veículos temos que pensar em toda a área do Mercosul. Portanto desejamos incentivar a produção regional por meio do que há de melhor em cada um dos países, como a energia elétrica do Paraguai, a de menor custo em toda a América do Sul.”
Moan afirmou que propôs ao governo isentar de impostos os componentes feitos futuramente na região e entregues a sistemistas e fabricantes, com cobrança apenas para as vendas ao varejo.
O presidente da Anfavea diz que o projeto está em análise e teve percepção positiva do governo. “Trata-se de área carente em empregos e, além disso, é preciso fortalecer a base de fornecimento da região e avançar em competitividade. Trabalhamos nos avanços produtivos e também no incentivo a exportações.”
Gargalos – Durante sua apresentação Moan reconheceu que a nova política fiscal “criou gargalos na área de financiamentos e apenas há cerca de dez dias o governo anunciou taxas fixas para a linha do BNDES, Finame PSI”.
Falando especificamente das vendas ao campo Moan citou que o Moderfrota ainda conta com taxas de 4,5%. Mas não crê que, como ocorre tradicionalmente, o governo libere mais recursos para essa linha em junho.
“Como já se sabe dessa limitação de recursos as instituições financeiras aumentaram o nível de desconfiança na liberação das propostas. E mais: os recursos disponíveis foram divididos em cinco meses, de fevereiro a junho, e regionalizados. Dessa forma, um cliente com mesmo perfil pode conseguir um financiamento na região Sul, por exemplo, e não conseguir no Interior paulista.”
De todo modo, Moan admitiu que manterá o pleito de liberação de mais recursos para financiamento via BNDES.
“Não esperávamos um impacto tão forte em vendas, agora falando da indústria automotiva como um todo. Estimávamos um mercado similar ao do ano passado, mas já acredito que se trate de estabilidade com viés de baixa.”
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