Os executivos de marketing das fabricantes de veículos costumam dizer que toda vez que um produto é lançado as vendas de todo o segmento ao qual ele pertence crescem também. Se isso de fato for verdade, o segmento de SUV deve explodir no Brasil a partir de abril.
Afinal, somente em março serão lançados três veículos para competir com o Ford EcoSport, que até agora enfrentava apenas Renault Duster – que também será renovado no fim do mês – e os jurássicos Hyundai Tucson e Mitsubishi TR4, cuja produção acaba de ser encerrada.
No espaço de duas semanas chegarão às revendas os novíssimos Peugeot 2008, Honda HR-V e Jeep Renegade, todos nacionais. Mera coincidência? Novamente os homens de marketing dirão tratar-se do conhecido movimento gnu, ou movimento manada. Ou seja: aonde um vai, outros seguem atrás. Algo corriqueiro na indústria automotiva e em setores diversos, ainda mais no comércio. Basta lembrar o modismo instantâneo dos truck foods e das paletas mexicanas, ambos em São Paulo.
Apenas para ficar em dois exemplos automotivos no mercado interno: as hoje quase extintas station wagons compactas e suas substitutas cronológicas minivans. Há menos de duas décadas os brasileiros podiam comprar as chamadas peruas da Chevrolet, Ford, Volkswagen e Fiat, para ficar apenas com representantes das quatro marcas mais vendidas. Hoje contam com a solitária Palio Weekend – minguadas 18 mil unidades vendidas em 2014 – e uma ou outra opção importada.
O mesmo ocorreu com as minivans de produção nacional. Depois da apresentação do Renault Scénic, em 1998, na década passada as ruas foram tomadas por Chevrolet Zafira e Meriva, Citroën Picasso e Fiat Idea, sobrevivente com não mais do 1,5 mil unidades vendidas por mês em 2014, ao lado da Chevrolet Spin. E nada mais. Minguaram também.
A onda agora a arrebanhar esforços das engenharias e departamentos de vendas são os SUVs e sua variação SAV, de Sports Activity Vehicle, algo do mesmo porte mas menos apto à terra, como o futuro Mercedes-Benz GLA nacional. E vem mais nos dois próximos anos: BMW X1, Land Rover Discovery Sport e Chery Tiggo são outros três exemplos.
Isso para citar os modelos de produção local, fora um farto cardápio de importados coreanos, europeus, japoneses e chineses. A julgar por essa voracidade o império dos SUVs – e mesmo por se tratar de fenômeno mundial – deve ser mais duradouro aqui do que o das minivans, por exemplo.
Bem, isso até alguma empresa sacar da cartola novamente algo realmente novo e rapidamente, mais uma vez, se ver acossada pelas concorrentes na busca pelo mesmo consumidor. E não será nenhuma novidade: somente a roda do marketing automotivo, criado por Alfred Sloan há uns oitenta anos, que continua a girar.
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