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08/06/2015

Scania: opção a gás.

Por Décio Costa

- 08/06/2015

Em demonstrações no País desde outubro do ano passado, um modelo de ônibus da Scania movido a biometano e GNV oferece provas de sua viabilidade para aplicações no transporte urbano de passageiros. “É mais uma opção aos empresários e operadores do sistema como uma solução para diversificar a matriz”, diz Silvio Munhoz, diretor de vendas de ônibus da Scania no Brasil. A maior restrição atual é a disponibilidade do combustível, no caso do biometano.

Entretanto, os bons resultados das avaliações com o ônibus – já testado no Paraná, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro em parceria com empresas das áreas de energia, agrícola, de distribuição de gás e aterros sanitários – permitem acreditar na ampliação de instalações dos meios de produção do biometano. “O combustível pode ser produzido do lixo, do lodo sanitário, de dejetos orgânicos das companhias agropecuárias e até do vinhoto, resíduo da produção do álcool nas usinas.”

De acordo com Munhoz a solução, embora 20% a 25% mais cara que um modelo convencional a diesel, proporciona consumo de 20% a 25% menor se abastecido com GNV e de 40% a 45% com biometano, além de emitir 60% menos poluentes. “Apesar do custo de manutenção ser semelhante ao do motor a diesel, a vida do útil do motor é 40% maior.” Para o executivo “as experiências malsucedidas com ônibus a gás do passado, como o baixo desempenho, ficaram para trás. Os testes têm despertado o interesse dos operadores dos sistemas, como a SPTrans, que já quer colocar na ponta do lápis o custo por quilômetro e por passageiros”.

Embora importado da Suécia e equipado com motor Euro 6, o diretor de vendas revela que nada impede a produção local do veículo, pois 90% dos componentes do motor são comuns aos que integram um motor a diesel. A diferença, segundo Munhoz, fica no cabeçote que, por ser movido a gás, precisa receber velas de ignição na câmara de combustão. O executivo prefere não contabilizar o investimento necessário em uma eventual localização do modelo: “As autorizações para a produção aqui já foram solicitadas na Suécia, mas seguramente o maior aporte deve ser direcionado a uma adequação para o motor, com mais uma linha na fábrica, além de bancadas de teste”.

Munhoz ainda aposta em outros aspectos que contribuem para que o motor a gás se torne realidade na composição das frotas brasileiras: o mercado latino americano e o custo operacional das outras matrizes, como diesel, o etanol e as tecnologias híbridas. “As soluções hoje oferecidas são caras. As autoridades dos sistemas querem cada vez mais reduzir os subsídios, e os empresários pretendem gastar menos. Países como Peru, Colômbia e México já estão adotando o gás no transporte coletivo urbanos de suas cidades.”

Se tudo der certo, como espera Munhoz, sua expectativa é de que até 2016 de 10% a 20% do volume de vendas da Scania seja de modelos a gás.

BIARTICULADO – Por outra frente, a montadora também se esforça em aumenta participação no segmento de ônibus urbanos. De acordo com o diretor, a companhia prepara novos produtos para atender especificamente essa fatia. O primeiro deles chega até o início do segundo semestre, um modelo biarticulado em fase de encarroçamento para ser apresentado. “Enxergamos mercados em potencial para o produto, como Brasília, DF, Curitiba, PR, Goiânia, GO, e Porto Alegre, RS.”

Munhoz prefere não cravar números, mas apesar das dificuldades atuais com o desaquecimento da economia do País, ele acredita em uma melhora gradual do segmento de ônibus até o fim do ano, especialmente no segundo semestre e do segmento rodoviário. “Nos últimos meses estamos recebendo propostas firmes de empresários do segmento.”


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