AutoData - Participação dos 1.0 nas vendas atinge menor marca em 22 anos
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17/08/2015

Participação dos 1.0 nas vendas atinge menor marca em 22 anos

Por Marcos Rozen

- 17/08/2015

A participação dos automóveis com motor 1.0 no total das vendas do mercado brasileiro continua a cair fortemente e no primeiro semestre deste ano alcançou o nível mais baixo dos últimos 22 anos – o índice se compara apenas àquele do início da popularização deste tipo de veículo no Brasil, também conhecido como Popular, nascido em 1990 com o Fiat Uno Mille.

Nem mesmo a recente adoção de novas e avançadas tecnologias para os motores 1.0, notadamente a de três cilindros – já em uso por fabricantes como VW, Ford, Nissan e Hyundai, por exemplo – parece animar este segmento, que no atual cenário do mercado brasileiro encaixa-se cada vez mais como um nicho. Pesaria a favor dos 1.0 ainda a alíquota do IPI mais reduzida e portanto em tese mais vantajosa em termos de preço final ao consumidor, ainda mais com a recomposição total do imposto ocorrida no início do ano, mas também este fator aparentemente não está fazendo diferença na hora da escolha do consumidor por um 0 KM.

De acordo com levantamento exclusivo da Agência AutoData com base nos números da Anfavea as vendas de 1.0 representaram somente 35% do total de automóveis vendidos no País no primeiro semestre, índice melhor apenas que o registrado em 1993, fase na qual os populares buscavam consolidação no Brasil. Em junho, isoladamente, o total foi ainda menor, de 31,7%. Como comparação, no ano de 2014 a participação dos 1.0 fechou em 36% e seu melhor ano foi 2001, com 70% do total das vendas de automóveis, sempre segundo a Anfavea.

Vários fatores explicam este movimento, contrabalanceado apenas pelos lançamentos recentes desta faixa, como Up!, novo Ka ou novo March, todos com modernos motores de três cilindros. O primeiro é a redução do crédito pelos bancos para compra de 0 KM, que naturalmente atinge com maior força os compradores da base do mercado, que ao descobrirem suas fichas rejeitadas acabam por optar por veículos seminovos.

Outro é a concorrência interna com outro com motor de maior litragem para um mesmo modelo – Chevrolet Onix, Hyundai HB20 e novo Ford Ka, que também tem oferta de opções 1.4, 1.6 e 1.5 na gama, respectivamente, são ótimos exemplos. Além disso os modelos tradicionalmente bons de venda com oferta exclusiva de 1.0, como os Chevrolet Celta e Classic, o Renault Clio e o VW Gol G4 ou saíram de linha ou deixaram de frequentar a lista dos mais comercializados há algum tempo.

Para ajudar este quadro a se tornar mais agudo os mais recentes lançamentos do mercado nacional, com números atrativos de emplacamentos, são do segmento de SUVs leves, que não conta com representantes dotados de motor 1.0 – apenas a Ford, quando do lançamento da primeira geração do EcoSport, há cerca de 15 anos, tentou equipar o modelo com um motor 1 litro equipado com o chamado Supercharger, mas este não foi bem recebido pela clientela, que preferia, de longe, a versão 1.6.

E, finalmente, a nova tecnologia de três cilindros ainda não conseguiu livrar os 1.0 do estigma de modelo fraco e de pouca potência, alimentada quando da grande popularidade destes modelos, há cerca de uma década, e de fato justificável em alguns casos. Nestes, na maioria das vezes o proprietário foge de outro 1.0 na hora de trocar de carro.

O cenário de curto prazo não é muito animador para o segmento. Apenas uma novidade pode representar uma possível alteração no quadro: o lançamento do VW Up! Tsi, agendado para a próxima semana. O modelo combina motor 1.0 três cilindros a um bloco de alumínio, injeção direta e turbocompressor, que o leva a 105 cv ante 82 cv das versões atualmente ofertadas. Resta saber se outro estigma, neste caso o da aplicação do turbo, será superado. A própria Volkswagen chegou a oferecer os modelos Gol e Parati com motor 1.0 turbo de 112 cv, lançados em 2001, mas naquela época a aceitação do mercado foi baixa.


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