AutoData - Máquinas: um segundo semestre como o primeiro.
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20/08/2015

Máquinas: um segundo semestre como o primeiro.

Por Marcos Rozen

- 20/08/2015

O segmento brasileiro de maquinário, tanto agrícola quanto de construção, vê sem desespero o resultado do primeiro semestre, de queda nas vendas, e repete esta forma de enxergar os fatos mesmo diante de previsão da repetição destes níveis de retração no segundo semestre, dando ao ano resultados ruins. A visão mais adiante é animadora, o que aplaca este cenário do curto prazo.

Segundo dados da Anfavea o primeiro semestre terminou com retração de 25% nas vendas no atacado, para 24,7 mil unidades ante 33 mil um ano antes.

Painel que reuniu grandes representantes do segmento – Afrânio Chueire, Presidente da Volvo Construction Equipment Latin America, Bernhard Kiep, Vice-Presidente de marketing, Pós-vendas, Gestão de Produtos e Desenvolvimento de Concessionárias América do Sul da AGCO, Rafael Miotto, Diretor de Planejamento e Portfólio de Produtos da CNH Industrial e Roque Reis, Vice-Presidente Comercial e de Marketing América Latina da Case Construction – no Seminário AutoData Revisão das Perspectivas 2015, realizado na segunda-feira, 20, em São Paulo, deixou claro que a tendência de crescimento no Brasil e na América Latina é fortíssimo, com muitas oportunidades à frente, ainda que com os números deste ano em baixa.

Kiep, por exemplo, assegurou que “não existe lugar mais abençoado no mundo para o agronegócio do que o Brasil. A situação atual deve se recuperar em dois anos, e a projeção é boa”. Mioto acrescentou ser fácil a explicação para o que considera “constante otimismo” do segmento: “Por muitos anos o Brasil e a América Latina terão oportunidades para máquinas agrícolas. Por um lado ainda existe muito agricultor sem máquina, e todos os países da América Latina querem imitar o programa Mais Alimentos brasileiro. No outro lado há os que já as têm mas querem elevar a produtividade e investirão para isso. Temos um potencial impressionante para mais dez anos, e o Brasil é um dos poucos países do globo a contar com isso”.

O executivo ainda estimou quadro positivo para diversos segmentos da agricultura, bem como as condições para investimento em maquinário. “Hoje há um efeito psicológico que limita o investimento imediato, que também está associado a aportes realizados nos últimos 4 a 5 anos. Mas o Plano Safra trouxe montante de recursos para financiamento 20% maiores [do que o anterior], e ainda que a fatia total para maquinário seja menor a do Moderfrota, que é o canal mais importante para nós, cresceu. A chave será a velocidade da liberação, mas outra boa notícia é que as taxas de juros foram mantidas nos mesmos patamares, e tínhamos receio de que viessem a subir, o que felizmente não aconteceu.”

E Kiep emendou com a sempre importante constatação de que “todos nós temos contato com a agricultura pelo menos três vezes por dia, que é quando comemos: a comida é produzida por um agricultor”. O palestrante assegurou que as montadoras “ainda têm muita tecnologia para trazer, e por isso os fornecedores não devem perder a esperança diante do cenário atual, mas sim trabalhar mais próximos das montadoras, pois muito da automatização do agronegócio será de nossa responsabilidade”. Ele citou como exemplo o fato de que no País menos de 15% dos tratores que trabalham campo contam com cabine, e para ele “esse índice vai crescer, aumentando assim o mercado”.
Nas máquinas de construção Chueire salientou que em 2013 e 2014 o governo federal adquiriu muitas máquinas, redistribuídas a pequenas prefeituras, e que se descontando esse volume do comparativo com o ano passado a baixa de 50% do primeiro semestre ajusta-se para 35%. Além disso a produção caiu menos, 18%, ainda que “o mercado caiu não só no Brasil mas também nos outros mercados da América Latina, o que dificulta um pouco a retomada via exportações”.

Entretanto o cenário à frente também é promissor para este subsegmento pois, recordou o executivo, “há fabricantes também na Argentina e no México, mas uma indústria completa e estruturada para máquinas de construção, na região, só existe no Brasil”. Sua preocupação principal é “que isso seja preservado, pois a recuperação da economia passa por um viés político, o que deve demorar mais 2 a 3 anos”.

Chueire, de qualquer forma, deixou claro que “esta crise apresenta quadro muito melhor do que as ocorridas anos atrás. O Brasil não está quebrando: o que temos é um nó politico, que precisa ser desfeito para destravar as medidas fiscais”.

Os participantes desta faixa não demonstraram grande empolgação com o recente anúncio de plano de investimento em infraestrutura do governo federal, estimado em quase R$ 20 bilhões. Para Reis, “não deve gerar grandes negócios neste ano e no próximo, pois ainda existe população de máquina ociosa. É um projeto de longo prazo”.


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