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21/09/2015

"Por que você não me avisou antes?"

Por Antônio Dadalti

- 21/09/2015

Sempre que vivemos momentos de crise pergunto quanto estou contribuindo para o seu crescimento. Como nestes tempos as notícias nunca são positivas, como inflação em alta, desvalorização do real, juros em crescimento etc, assustados tomamos a decisão de suspender ações que teríamos condições de executar agora pois até ontem faziam parte dos nossos planos imediatos. Embora até agora nada tenha mudado na nossa vida com base nessas más notícias deixamos de comprar roupas, trocar de casa, comprar um carro novo, fazer viagens, reduzimos as compras nos supermercados, deixamos de ir a restaurantes.

É assim que antecipamos a chegada dos dias piores que imaginamos enfrentar mais adiante, pois temos dúvidas a respeito do futuro com base nessas más notícias. Enfim, passamos a viver numa condição que ainda não aconteceu, pelo menos para a parte da população na qual me incluo. Essa minha atitude passa então a alimentar a crise.

Multiplique esse comportamento para milhões de consumidores, que por medo de enfrentar um cenário pior no futuro passam, sem um motivo lógico no momento, a se comportar como se já estivessem sofrendo os efeitos da crise, o que provoca resultado devastador no comércio, que vê suas vendas caírem. Por consequência os comerciantes optam por cortar as encomendas nas indústrias. Na sequência é a vez das indústrias reduzirem a produção e por causa disso ambos setores demitem o pessoal excedente – e é aí que podemos perder nosso emprego ou quebrar nossa pequena empresa.

Essa atitude de manada é o acelerador da crise econômica que entra num ciclo de depressão progressivo, e o que não era um problema para muitos até aquele momento em pouco tempo atingirá a todos.

Isso me faz lembrar uma velha e conhecida história do vendedor de cachorro quente, analfabeto e desinteressado pelas notícias do dia a dia, que devido ao sucesso de suas vendas estava aumentando sua frota de carrinhos e, com o dinheiro que ganhava, custeou a educação de seu filho até a faculdade, para que não fosse um ignorante como ele. Atravessando uma crise como a atual disse o filho ao pai:

“Pai, o senhor não lê jornais e nem se importa com as notícias da televisão, por isso não sabe que estamos passando por uma enorme crise. O senhor precisa parar de investir na compra de novos carrinhos, não é momento para isso. O senhor precisa enxugar o seu negócio e esperar a crise passar se não quebrará”.

O pai pensou: meu filho é doutor, lê jornais, entende de política e economia e está me avisando dessa crise que eu nem sabia. Vou seguir o seu conselho.

E mudou totalmente o comportamento que tinha garantido seu sucesso até então. Parou de investir, reduziu o número de carinhos, demitiu os funcionários excedentes e lentamente, com a queda do faturamento, foi se descapitalizando, até que sua pequena empresa quebrou. Então chamou o filho e disse:

“Meu filho, você tinha razão: a crise é realmente muito grave e nem com o seu aviso eu me salvei. Por que você não me avisou antes?”.

Antônio Dadalti é consultor para o desenvolvimento da área comercial da Foton Caminhões


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