A primeira vez em Donington Park, um dos templos do automobilismo mundial, quase no coração da Inglaterra, a 160 quilômetros de Londres, ninguém esquece. Menos ainda porque na pista estão monopostos alinhados com o futuro, movidos a bateria, resultado de muitos esforços de inovação tecnológica. Dentre esses esforços estão os da Schaeffler, responsável pelo powertrain dos dois carros da equipe ABT Schaeffler Audi Sport, dirigidos por Lucas di Grassi e por Daniel Abt.
As equipes dispõem, agora, de duas semanas de testes, a pré-temporada, que incluem os treinos em Donington, até o embarque para Beijing, China, onde será inaugurada a temporada 2015/2016, a segunda da F-E, no domingo, 17 de outubro – acaba em julho do ano que vem, em Londres. Na passada a equipe foi a terceira colocada, e Di Grassi disputou o campeonato nas últimas provas – “E este ano tenho muito boas razões para acreditar em muitas vitórias: temos carros e equipe superiores”.
Na primeira temporada da F-E todos os carros obedeciam a especificações-padrão, uma determinação que foi alterada para este ano e que permitiu a cada equipe desenvolver totalmente seu próprio powertrain. Daí a importância, para as equipes, de consagrarem acordos e contratos com empresas fornecedoras de tecnologia automotiva – como a Shaeffler e o carro ABT Schaeffler FE01.
Como destacou Peter Gutzmer, principal profissional da companhia na área da tecnologia, “como exclusivo parceiro tecnológico da única equipe alemã na Fórmula Electric, a ABT Sportline, fizemos o desenvolvimento completo do powertrain dos carros de Lucas e de Daniel”.
Ou seja: a ABT Sportline juntou à sua própria experiência no motorsport aquelas acumuladas por Schaeffler e Audi para enfrentar o que seu diretor, Hans-Jürgen Abt, considera o “desafio do futuro”, que é tornar viáveis os veículos elétricos e engrandecer a mobilidade. Ele lembrou as óbvias colaborações das pistas de corrida, ao longo de décadas, no aperfeiçoamento e aprimoramento dos veículos como os conhecemos.
O principal componente desenvolvido pela Schaeffler é o motor elétrico, conhecido por aqui como ABT Schaeffler MGU 01, que Gutzmer descreve como “o resultado de nosso foco em obter a melhor eficiência possível, alta confiabilidade e gerenciamento térmico adequado”. O resultado, ele conta, é um motor de melhores torque e eficiência do que seu antecessor, desenvolvido em período de tempo que considera exemplar: em menos de seis messes depois dos primeiros entendimentos, que ocorreram há dez meses, as primeiras partes do novo motor já estavam prontas.
O motor tem 200 kilowatts de potência, ou coisa de 270 cv, e essa potência toda somente é utilizada em treinos de classificação. Pois durante as corridas a potência não ultrapassa 180 kilowatts, algo como 202 cv. Sua velocidade máxima é 280 km/h.
O desenvolvimento da nova transmissão também foi obra Schaeffler, coordenado com o do motor, e sua produção, encomendada sob especificações especiais, ficou a cargo de outra empresa parceira, a Hewland. É mais compacto do que o anterior e tem três marchas. E a suspensão também recebeu atenções para acompanhar os progressos de motor e câmbio: maior rigidez e cinemática mais avançada.
O que faz esse conjunto falar a mesma língua, o que conecta esses elementos é um novo software que gerencia a interação dos componentes todos – “Sua perfeita funcionalidade tem sido um dos principais focos dos testes”, reconheceu Gutzmer.
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