Trabalhadores da Mercedes-Benz e de outras empresas representadas pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC participaram na manhã de quarta-feira, 26, da Marcha Contra as Demissões, em protesto aos 1,5 mil cortes que a montadora fará na fábrica de São Bernardo do Campo, SP, a partir de 1º de setembro.
A intenção, segundo informou o sindicato em comunicado, é demover a empresa da ideia de demitir esses funcionários e voltar a negociar uma possível adesão ao PPE, Programa de Proteção ao Emprego. Não à toa o trajeto escolhido teve como destino a Rassini, fabricante de autopeças da região que foi a primeira a aderir ao plano criado pelo governo federal em julho.
“O acordo na Rassini é um exemplo para todas as empresas e trabalhadores do Brasil”, afirmou Sérgio Nobre, secretário-geral da CUT, Central Única dos Trabalhadores, em nota. “A empresa sofreu queda de produção, mas buscou o diálogo e alternativas para proteger o emprego com dignidade. O PPE é uma alternativa na Mercedes-Benz”.
Nas contas do sindicato mais de 10 mil trabalhadores participaram da marcha, que saiu da portaria central da fábrica da M-B. Desde segunda-feira, 24, os trabalhadores estão em greve na unidade, em protesto contra as demissões, que começaram a ser anunciadas na semana passada por meio de telegramas aos metalúrgicos que estavam em casa, ainda em licença remunerada.
O sindicato alega que as demissões na M-B poderão gerar mais desemprego à região. “Será uma tragédia para a cadeia produtiva e para a sociedade. Para cada demitido aqui, quatro trabalhadores também perdem o emprego”, lembrou o vice-presidente da entidade, Aroaldo Oliveira da Silva. “Nós não vamos permitir”.
A Mercedes-Benz alega que tem excedente de dois mil trabalhadores na fábrica de São Bernardo do Campo e a simples adesão ao PPE não seria suficiente para resolver os problemas de competitividade da unidade. Em junho a companhia ofereceu um acordo que misturava PPE, congelamento de salário e PDVs, dentre outras medidas, mas os trabalhadores recusaram em assembleia.
Sem acordo – Em Taubaté, SP, os 5 mil trabalhadores da fábrica da Volkswagen que produz Gol, Voyage e up! mantiveram a greve – que já dura mais de uma semana – após uma reunião conciliatória de representantes da companhia e do sindicato dos metalúrgicos local no TRT, Tribunal Regional do Trabalho, de Campinas, SP, terminar sem acordo na terça-feira, 25. Nova audiência foi agendada para a segunda-feira, 31.
Segundo o sindicato a Volkswagen desrespeitou acordo firmado em 2012, com validade até 2017, de garantia de emprego na fábrica ao demitir cerca de 50 trabalhadores. Eles pediram readmissão do pessoal.
A companhia, ainda segundo a entidade, alegou que acumula retração nas vendas nos primeiros sete meses do ano e as medidas de flexibilidade adotadas, como férias coletivas e banco de horas, foram insuficientes para adequar a produção à demanda e equilibrar financeiramente a fábrica de Taubaté.
A greve que começou na segunda-feira, 17, continuará enquanto o impasse não for resolvido, informou o presidente do sindicato, Hernani Lobato, em comunicado: “Agradecemos aos trabalhadores e ex-trabalhadores que aderiram à greve e contamos com o apoio de todos para sairmos vitoriosos nessa luta”.
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