A fábrica de automóveis de luxo Mercedes-Benz em Iracemápolis, SP, veio oficialmente ao mundo na quarta-feira, 23, com missão bem mais gloriosa do que se poderia imaginar inicialmente.
Ela é a primeira das 26 unidades produtivas da montadora no mundo a adotar um novo processo produtivo no qual a flexibilidade é o pilar principal. A unidade consegue produzir dois modelos de duas plataformas bem distintas – sedã de tração traseira e utilitário com tração dianteira – em uma mesma linha.
Segundo Markus Schäfer, membro do board Mercedes-Benz Automóveis, Produção e Logística, a experiência está “empolgando os engenheiros” e, se totalmente aprovada conforme os volumes produtivos se elevarem, deverá ser replicada para outras fábricas ao redor do mundo, inclusive na Alemanha.
“Temos um plano agressivo de liderar o mercado premium global em 2020. E para isso precisamos aumentar o portfólio. Já saímos de 20 modelos para quase 40, o dobro. E descobrimos que para acompanhar essa alteração produtiva precisávamos de flexibilidade. E Iracemápolis é desde já o benchmark global neste quesito.”
Na prática isso se traduz, por incrível que possa parecer à primeira vista, em menor automação e maior número de funcionários. “A automação nos tira flexibilidade. Temos robôs e máquinas em Iracemápolis onde é necessário para assegurar a qualidade. Mas o elemento humano é muito mais flexível e é nele que estamos focados agora. Este processo de redução da automação já começou também na Alemanha.”
São 600 funcionários para uma capacidade teórica de 20 mil unidades/ano em dois turnos, mas nesse momento serão 12 mil/ano em turno único. Segundo Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz do Brasil, o plano inicial previa entrada em funcionamento do segundo turno no início do ano que vem, mas este já foi suspenso por enquanto.
Os executivos tergiversam quando o assunto é fornecimento local. Schäfer argumenta que “todos os fornecedores são locais” pois são globais com operação no Brasil, mas não enumera quantos já vendem a partir daqui nem o índice de nacionalização.
Fato é que por enquanto Iracemápolis só monta o Classe C com aparentemente quase tudo importado – são visíveis caixas e caixas de equipamentos trazidos de fora como para-choques, grades dianteiras, tanques de combustível e outros. As áreas de armação de carroceria e pintura entram em funcionamento no segundo semestre, junto com o GLA, segundo modelo Made in Brazil.
Schiemer jura que não há planos de exportação, nem mesmo para a vizinha Argentina e com a situação do câmbio favorável aos embarques. “Quando fizemos o projeto não fazia sentido exportar, o que não significa que será sempre assim, um dia pode passar a fazer sentido. Mas por enquanto o objetivo é só o mercado interno.”
A Mercedes-Benz corrigiu o valor do investimento de R$ 500 milhões para perto de R$ 600 milhões, pela desvalorização do Real: “muitas máquinas foram importadas com pagamento em dólar”, explicou Schiemer.
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