As montadoras parecem não estar dispostas a entrar na guerra contra as companhias de compartilhamento de carros. Ao contrário do que se possa imaginar, fabricantes como Toyota, General Motors, BMW e Volkswagen estão interessadas em pegar carona nesse novo formato de negócio, inclusive no Brasil. Prova disso são as recentes alianças anunciadas entre as montadoras e companhias como Uber, Lyft, Gett e Scoop Technologies.
Até agora a General Motors foi a que apostou mais alto na parceria. Recentemente, a companhia anunciou um projeto piloto de compartilhamento de carros, chamado Maven. O programa foi lançado pela companhia nos Estados Unidos em janeiro e o Brasil é o segundo país a adotá-lo. «Queremos ser atores da mobilidade», disse o vice-presidente da General Motors, Marcos Munhoz.
Em fase de testes desde março na fábrica de São Caetano do Sul, SP, por enquanto apenas sete unidades do modelo Cruze estão disponíveis para funcionários. O programa tem oitocentos inscritos e o usuário pode baixar um App para fazer a reserva.
O Maven já é parte do resultado das aquisições da fabricante. A GM investiu US$ 500 milhões no Lyft, principal rival do Uber nos Estados Unidos e depois comprou o que sobrou do Sidecar, outro serviço do mesmo segmento que encerrou suas atividades em dezembro de 2015, por mais US$ 39 milhões. Segundo a montadora, que não revela muitos detalhes, o objetivo é ampliar seu faturamento no novo nicho e ganhar força no desenvolvimento de carros autônomos.
Para Ricardo Bacellar, diretor para o setor automotivo da consultoria KPMG, as parcerias são interessantes para as duas partes: as montadoras passam a ter acesso a um banco de dados importante e ingressam em um novo segmento de negócio, enquanto as companhias de compartilhamento aproveitam os investimentos e a ajuda de engenheiros especializados para o desenvolvimento dos produtos. “Não estamos mais falando de futurologia, a indústria precisa se adaptar rapidamente e aceitar que o conceito de propriedade de veículos vai mudar de forma rápida”, diz.
Segundo o consultor, o carro continuará a ser um bem de consumo de desejo, porém, isso deve ganhar outra escala em decorrência da queda de interesse dos mais jovens. “Tudo se configura para que o carro compartilhado seja um bem básico, enquanto o particular será sinal de status e cada vez menos consumido”, acredita.
Na esteira dessa mudança de comportamento, formou-se recentemente uma parceria de gigantes: a Toyota, maior montadora do mundo, anunciou um memorando de entendimento com o maior símbolo do compartilhamento de veículos atualmente, o Uber. As empresas não divulgaram os valores envolvidos, mas afirmaram que criarão opções de aluguel de veículos da Toyota com possibilidade de compra ao final de um período e prestações cobertas com a renda que o motorista obtiver como participante do Uber.
A Toyota disse que também irá colaborar em outras áreas, como o desenvolvimento de aplicativos que deem suporte aos motoristas do Uber, compartilhando conhecimento e acelerando esforços de pesquisa entre as companhias. Apesar do Uber já ter um projeto de carro autônomo, não ficou claro se a colaboração entre a Toyota e o Uber incluirá o desenvolvimento destes tipos de veículos.
Enquanto a japonesa prepara suas alianças, a Volkswagen também anunciou aporte de US$ 300 milhões na Gett, um aplicativo para chamar corridas de táxi que compete com o Uber. De acordo com a montadora, o investimento será usado para financiar o crescimento do App na Europa e em Nova York. Atualmente, o aplicativo, cuja sede fica em Israel, opera em sessenta cidades do mundo. Em nota, a fabricante alemã disse que o investimento faz parte da estratégia “para que a companhia seja a líder mundial de oferta de mobilidade até 2025”.
A BMW também já entrou na dança e afirmou que sua unidade de investimento de risco aplicou um valor não revelado na empresa californiana Scoop Technologies, que desenvolveu um aplicativo de compartilhamento de veículos.
“As montadoras não estão entrando na guerra como oponentes, e sim fazendo alianças para participar desse novo segmento e garantir um faturamento maior”, constata Bacellar.
Enquanto isso, as rainhas da tecnologia também se aventuram no terreno das montadoras. Google e Apple têm planos declarados de produzir veículos autônomos – esperados até 2020. A briga será boa e os consumidores podem começar a se preparar para escolher seus carros por um aplicativo.
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