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21/07/2016

O Brasil está pronto para emissões mais restritas?

Por Miguel Zoca

- 21/07/2016

Criado há 30 anos no Brasil, o Proconve, Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores, tem cumprido o seu papel no que diz respeito à diminuição de emissões de poluentes. Embora a fase PL6 do programa seja recente, em vigor desde 2014, o mercado já discute quais serão os próximos passos. Para um possível PL7, algumas adequações são consideradas certas. Uma delas é aumentar a durabilidade dos catalisadores de 80 mil para 160 mil quilômetros rodados, algo que já ocorre em diversos países desenvolvidos.

Outro ponto importante, principalmente em relação à eficiência energética, são os motores ciclo Otto de injeção direta de combustível, que já são realidade na Europa, juntamente com a aplicação do filtro catalítico de material particulado para gasolina e etanol. Limites de emissões evaporativas também estão em discussão, inclusive, com novas normas sendo avaliadas pelos órgãos reguladores. Da mesma forma, limites reduzidos de HC, CO, NOx e de emissões de CO2 devem ser uma tendência.

De que forma atender a normas mais restritas? Muitos fatores, como motores menores, sistema de injeção, peso, combustível, atrito, dentre outros, podem influenciar de forma positiva na diminuição de emissões. O Inovar-Auto, por exemplo, tem sido de grande contribuição nesse aspecto. Dentre a grande gama de possibilidades, as tecnologias de catalisadores disponíveis chamam atenção, já que o componente é responsável por transformar até 98% dos gases tóxicos provenientes da queima do combustível em gases inofensivos.

Atualmente quando falamos em catalisadores, pensamos em três tipos de componentes: o catalisador de três vias, catalisador de armazenamento de NOx e o filtro catalítico de material particulado para aplicações de injeção direta para motores a gasolina e etanol (cGPF). A tendência, porém, a exemplo da Europa, onde há um avanço maior na legislação, como também vem ocorrendo as principais evoluções em design e inovação, é cada vez mais integrar as tecnologias para que se tenha sistemas mais compactos.

Ou seja, em termos de evolução tecnológica, saímos de um catalisador para até três componentes trabalhando em conjunto. Essa realidade torna o design mais complexo, assim como as aplicações, já que seriam necessárias soluções inteligentes e otimizadas para cada mercado e necessidade.

Mas, afinal, quem vai pagar por isso? Em tempos de crise e de necessidade de cortar ao máximo os custos, quem está disposto a pagar por essas mudanças? A indústria? O usuário final? Os órgãos reguladores estão preparados para colocar em prática essas novas normas?

O que sabemos é que as regras mais restritas são um bem necessário para nós cidadãos. Nos grandes centros urbanos, principalmente os de grande porte, a população segue sofrendo com as emissões, vivendo em ambientes ainda muito poluídos que colocam diretamente em risco sua saúde. Em termos de tecnologias disponíveis estamos prontos. Resta saber se a sociedade está disposta a colocá-las em uso.

Miguel Zoca é gerente sênior de aplicação do produto da Umicore Brasil


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