Relatório do desempenho do setor de máquinas divulgado pela Abimaq na quarta-feira, 27, revela que o consumo aparente em junho apresentou um comportamento atípico devido às importações que, no mês, dobraram de valor. Os R$ 12,5 bilhões consumidos no mês representaram alta de 56,7% sobre o mês anterior e 9% em relação a junho do ano passado. Segundo nota da associação, “as altas taxas de ociosidade observadas em todos os setores da indústria de transformação colocam como incerta a retomada dos investimentos no curto prazo mesmo após esse pico ocorrido em junho”.
No primeiro semestre, no entanto, o resultado ainda é negativo. No período, os R$ 53,6 bilhões consumidos são 25,4% menores do que o registrado no ano passado.
No que diz respeito à receita, o desempenho do setor se mostra estável, “ainda que em nível muito baixo”, destaca o comunicado. Em junho o faturamento líquido total foi de R$ 5,8 bilhões, alta de 4,2% sobre o resultado do mês anterior, mas queda de 23,7% na comparação com o junho de 2015. No acumulado do semestre, a receita de R$ 33 bilhões recuou 29,3% em relação ao desempenho de um ano atrás.
É, porém, o faturamento do mercado interno que mais preocupa a entidade. No primeiro semestre a receita líquida doméstica somou R$ 18,2 bilhões, queda de 46,3% na comparação com o mesmo período do ano passado. A estimativa de provável queda de dois dígitos no faturamento do setor ao fim de 2016 ainda se mantém. A entidade lembra ainda que “o curto período de desvalorização do real frente ao dólar trouxe relativo ganho de competitividade ao produtor nacional, mas não viabilizou a reposição de margem”.
O setor de máquinas, no entanto, sublinham resultados positivos nas exportações. Em junho as remessas somaram US$ 695,6 milhões, alta de 2,3% sobre o mesmo mês de 2015. No acumulado do ano até junho, os US$ 3,9 bilhões apontaram leve crescimento de 1,1%, o que de acordo com o histórico também representou inflexão da curva nos negócios. A entidade, porém, coloca em dúvida “se o atual câmbio, inferior a R$ 3,4 por dólar, permitirá a manutenção desta tendência”.
Ao contrário das exportações, as importações do setor continuam em queda, observadas pela entidade desde 2014. No acumulado do primeiro semestre as compras externas somaram US$ 8,4 bilhões, retração de 18,8% com relação ao mesmo período do ano passado. Com isso, o setor também registra redução do déficit na balança comercial de máquinas e equipamentos da ordem de 31% ao fim dos seis primeiros meses.
A Abimaq ainda ressalta que os fabricantes de máquinas e equipamentos encerraram o primeiro semestre com uma carteira de pedidos equivalente a 2,6 meses de trabalho, redução de 6,3% em relação a junho de 2015. Também registrou queda de 2,9% de janeiro a junho no uso médio de sua capacidade instalada ao passar de 68,3% em 2015 para 66,6% em 2016.
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