AutoData - Futura política industrial manterá pilares do Inovar-Auto
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08/08/2016

Futura política industrial manterá pilares do Inovar-Auto

Por George Guimarães

- 08/08/2016

O que virá depois do Inovar-Auto? A pergunta, que há meses incomoda dirigentes e executivos do setor automotivo, começou a ser respondida nesta quinta-feira, 4, por Antônio Megale, presidente da Anfavea. Durante entrevista coletiva para divulgação do desempenho do setor em julho, o dirigente afirmou que, apesar de discussões ainda incipientes, o governo terá uma política industrial de longo prazo a partir de 2018.

“Não será um Inovar-Auto 2, mas uma política industrial que vai além dele e que pelo menos garantirá conquistas dos programa atual”, revelou executivo, acrescentando que a entidade defende que a futura política estabeleça regras por pelo menos dez anos, com eventuais ajustes depois dos cinco primeiros. “Isso evitará que as empresas decidam investimentos, depois adiem ou cancelem, e depois novamente os retomem, como acontece hoje.”

Megale diz ter certeza que o governo manterá dois pilares do Inovar-Auto na nova política: eficiência energética e apoio a pesquisa, desenvolvimento e engenharia local. Mas um terceiro ponto foi ainda mais enfatizado pelo presidente da Anfavea: “ Haverá um terceiro pilar que é a recuperação da cadeia de fornecedores de autopeças. A nova política terá medidas que prevejam o fortalecimento dessas empresas”.

Enquanto o setor aguarda a definição de novas regras que nortearão o futuro próximo da indústria automotiva, as linhas de montagem seguem o ritmo do mercado interno. Em julho, foram fabricados 189,9 mil veículos, segundo melhor resultado mensal de 2016, atrás apenas das 196,5 mil unidades registradas em março. O volume superou em 4,7% a produção de junho, mas foi 15,3% menos do que a do mesmo mês do ano passado.

No acumulado dos sete primeiros meses a produção brasileira de veículos superou 1,205 milhão de unidades, recuo de 20,4% frente aos volumes de janeiro a julho de 2015. A entidade, ainda assim, mantém sua previsão de que o setor fechará o ano com 2,296 milhões de veículos fabricados, queda de apenas 5,5% frente ao consolidado no ano passado.

Um julho prejudicado por quebra de produção pontual de algumas montadoras por falta componentes, o segundo semestre historicamente mais aquecido de vendas no mercado interno e exportações em elevação sustentam a expectativa da entidade de linhas menos ociosas daqui até o fim do ano.

Ainda assim, para chegar aos imaginados quase 2,3 milhões de veículos, a média mensal de agosto a dezembro terá que se aproximar de 218 mil unidades, volume alcançado pela última vez em agosto do ano passado, quando foram fabricados 217,8 mil veículos.

Com a ociosidade média por volta 50% – acima de 70% no caso dos fabricantes de caminhões e ônibus – a indústria segue reduzindo seu quadro de trabalhadores. No mês passado foram eliminados 1,2 mil postos de trabalho, 0,9% do efetivo. O setor fechou o mês com 126,8 mil funcionários, sendo que 26 mil deles estavam enquadrados em programas da lay-off e PPE.


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