Encerrada a questão política com o afastamento definitivo da presidenta Dilma Rousseff e a posse de Michel Temer, é chegada a hora de a economia brasileira voltar aos trilhos. Essa é, ao menos, a expectativa de Antonio Megale, presidente da Anfavea, confiante no prosseguimento da agenda do novo governo e no avanço de reformas que há muito são aguardadas pelo setor, como a da previdência, a trabalhista e o ajuste fiscal.
Em entrevista coletiva à imprensa na manhã de terça-feira, 6, em São Paulo, Megale ponderou que o País perdeu muito tempo discutindo a situação politica. “Não podemos perder mais. As reformas são absolutamente indispensáveis para retornarmos aos padrões do passado”, afirmou o presidente.
“Apoiamos o ajuste fiscal, fundamental para a evolução da economia, a reforma da previdência, que é uma bomba-relógio prestes a explodir, e o avanço nas questões trabalhistas”.
Com relação à reforma trabalhista, o executivo defende o “acordado sobre o legislado”, ou seja, que os acordos firmados com sindicatos prevaleçam sobre a Lei. Além disso, espera que o PPE se torne uma política permanente e que a terceirização seja regulamentada.
Segundo Megale é hora do Brasil voltar a avançar, com o retorno dos investimentos em infraestrutura e da confiança do empresário e do consumidor. “Com a inflação controlada e o desemprego em baixa, podemos voltar a falar em crescimento do PIB. Essas reformas não são importantes apenas para a indústria automotiva, são fundamentais para o País”.
Em agosto a produção de veículos recuou 6,4% na comparação com julho e 18,4% com relação ao mesmo mês do ano passado, para 177,7 mil veículos. Essa queda, entretanto, foi puxada pela paralisação nas fábricas de uma das associadas da Anfavea – Megale não citou nominalmente, mas trata-se da Volkswagen, que colocou seus funcionários em férias coletivas por causa da batalha com o Grupo Prevent.
“Produzimos de 20 mil a 30 mil unidades a menos este mês”, afirmou o presidente da Anfavea. “Poderíamos ter fechado o mês com mais de 200 mil veículos produzidos”.
Como a situação da VW permanece indefinida, as próprias estimativas da associação para o ano podem sofrer alterações. De janeiro a agosto foram produzidos 1,38 milhão de veículos, volume 18,4% inferior ao dos primeiros oito meses de 2015. A associação projeta recuo de 5,5% na produção, para 2,3 milhões de unidades. “Esse dado, embora pontual, afeta o acumulado. Poderíamos ter números mais elevados”.
O nível de emprego, embora estável na comparação com julho, recuou 6,2% com relação a agosto do ano passado. A indústria emprega 126 mil trabalhadores, contra 134,3 mil em igual mês de 2015 – deste total, porém, 22,3 mil estão afastados de suas funções, seja por meio de PPE, licença remunerada, lay off ou férias coletivas.
Notícias Relacionadas
Últimas notícias