Embora atrasado em relação a países maduros, a introdução e o desenvolvimento de tecnologias avançadas no parque automotivo brasileiro anda a passos largos. Essa, pelo menos, é a convicção dos palestrantes do SAE Brasil no Salão do Automóvel 2016 – Manhã de Tecnologia Automotiva, evento realizado pela entidade de engenheiros na quinta-feira, 17, no São Paulo Expo, local onde até 20 de novembro ocorre a exposição.
De acordo com os organizadores a ideia foi apresentar os recursos tecnológicos atuais – ou em futuro bem próximo – disponíveis no mercado e presentes nos carros expostos no Salão do Automóvel, como o sistema de Frenagem Automática de Emergência, dispositivo capaz de perceber obstáculos à frente e tomar decisões de alertar o motorista, ajuda-lo a frear o veículo e até mesmo frear o carro independentemente da ação do condutor.
Segundo Alexandre Pagotto, gerente de marketing da Bosch, o recurso é mais uma etapa em direção ao veículo 100% autônomo. “O sistema de Frenagem de Emergência é um item no conjunto de recursos disponível de assistência autônoma. A tecnologia hoje já permite que o carro identifique faixas, cruzamentos, pedestres, como também o veículo que vai a frente.”
A tecnologia que age automaticamente no freio só aparece, porém, de uma etapa anterior que muda completamente o cenário automotivo brasileiro: a exigência do ABS. “O sistema antibloqueio nas rodas possibilita a introdução do ESP, o controle de estabilidade, é ele que realmente atua no sistema de Frenagem Automática de Emergência.”
Ainda segundo Pagotto, estudo realizado na Alemanha baseado em acidentes de colisões traseiras conclui que em 20% deles o motorista usou o freio corretamente, 49% utilizarão o freio sem o esforço necessário e o restante sequer pisarão no freio. “Daí se conclui que pelo menos mais de um terço dos acidentes poderia ser evitado se o veículo tivesse o sistema.”
No País a Frenagem Automática de Emergência já está disponível em modelos de marcas como Ford, General Motors, Jeep, Volvo, Volkswagen, dentre outros.
O evento também foi palco de testemunho de como as características únicas do País se tornam desafiadoras para a engenharia nacional, como contou Lauro Takabatake, diretor de engenharia da BorgWarner. O desenvolvimento de turbos para as condições brasileiras, nas quais há a popularização do motor flex exigiu utilização de ferramentas inéditas e na criação de componentes únicos, principalmente no que diz respeito a novos materiais a fim de tolerar o etanol, seja em virtude corrosão quanto da fadiga térmica.
De acordo com Takabatake, os times do Brasil e da Alemanha se unirão em busca de desempenho, redução de emissão e baixo consumo. Recursos inéditos, como câmeras de alta velocidade e laser foram utilizados no desenvolvimento. Para se chegar até às linhas de produção da fábrica da empresa em Itatiba, SP, foram mais de três anos de trabalho, entre testes de bancada e simulações. “Posso dizer que o turbo para motor flex foi um dos maiores desafios – como também a maior vitória. Estamos completamente preparados para o etanol.”
Atualmente o turbo da BorgWarner para a tecnologia flex está presente nos mais recentes lançamentos dos motores de três cilindros da Vokswagen, mas também no Golf.
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