Com seus tradicionais tuk-tuks, a Motocar, única fabricante brasileira de triciclos, parte para a competição direta com os utilitários e motocicletas. Em um cenário de aumento de desemprego e redução do poder de renda, o diretor institucional da empresa com fábrica na Zona Franca de Manaus, Fábio Di Gregório, afirma que o preço menor e a versatilidade dos produtos garantem um bom desempenho para a Motocar. Para se ter uma ideia da economia, o representante da empresa afirma que enquanto um utilitário gasta em média R$ 0,70 por quilômetro rodado, o triciclo consome R$ 0,20 para percorrer a mesma distância. Com maior presença nas regiões Nordeste e Sudeste, a companhia aposta no crescimento do chamado empreendedorismo para ampliar seus negócios e espera crescer em 2017. Di Gregório conversou com a Agência AutoData de Notícias.
Quem é o público-alvo da Motocar?
A Motocar é procurada por pessoas que buscam de uma nova fonte de geração de renda. Neste momento de dificuldade econômica passamos a ser opção para muitos empreendedores. Nossos principais concorrentes são os pequenos utilitários de carga e acreditamos que esses veículos podem ser substituídos pelos produtos da Motocar, que proporcionam economia na hora da compra, tem mais autonomia e menor custo de manutenção. Nosso público-alvo vai desde microempreendedores até empresas de médio e grande porte. Nossos veículos possuem flexibilidade para serem adaptados conforme a necessidade do negócio. Os triciclos já se transformaram em petshops, food truks, padarias, trios elétricos e floriculturas. Temos até veículos especialmente adaptados para ajudar na campanha nacional contra a dengue, com capacidade de 350 kg.
Qual é a representatividade da Motocar no País
Atualmente temos 28 concessionárias, espalhadas predominantemente nas regiões Sudeste e Nordeste. Temos plano de chegar a oitenta pontos de vendas até 2018.
Os triciclos de alguma forma não concorrem as motocicletas?
Não competimos diretamente com os veículos de duas rodas. Mas é fato que em algumas cidades brasileiras os triciclos são utilizados como alternativa às motocicletas para o transporte de passageiros, já que podem levar até três pessoas. Além disso, garantem mais conforto para quem fica sentado em uma cabine coberta. Além disso, o triciclo não exige uso de capacete e oferece mais capacidade de carga.
De que maneira a crise econômica afetou a Motocar?
Mesmo com as vendas indústria automotiva caindo 22% no acumulado do ano, nossas vendas de triciclos não registraram queda este ano. Os números estão similares aos de 2015. Nossa previsão inicial era de dobrar o número de unidades vendidas neste ano, mas a restrição econômica acabou atrapalhando os planos. Até agora vendemos por volta de 700 unidades.
Quais são as expectativas para o fechamento de 2016 e 2017?
No começo do ano a estimativa era negociar 1,2 mil unidades 2016, mas, como disse, a crise acabou afetando os planos. Mas acreditamos em uma melhora do cenário e projetamos alcançar vendas de 1,8 mil unidades no ano que vem.
Quais foram as medidas tomadas para enfrentar o atual cenário econômico?
Tivemos de rever nosso tamanho. Com o cenário delicado foi necessário fazer ajustes na estrutura com um corte de 50% na folha de pagamento, reduzindo o número de funcionários da nossa fábrica na Zona Franca de Manaus. Mas ainda assim, investimos R$ 5 milhões no lançamento de um produto e na reestilização de outros três modelos.
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