Se o governo não redistribuir as cotas de importação, passando as não utilizadas por algumas marcas para outras que já atingiram seu limite, o mercado de carros importados se limitará a 25 mil unidades no próximo ano, queda de quase 30% sobre as 35,5 mil estimadas para 2016 e o equivalente a um oitavo do comercializado em 2011, quando foram negociados quase 200 mil no Brasil.
É essa a perspectiva do presidente da Abeifa, Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores, José Luiz Gandini, para quem as vendas de importados das dezoito marcas filiadas à entidade se limitarão às cotas pré-estabelecidas para o segmento, algo em torno de 25 mil unidades.
“Com o dólar do jeito que está não dá para fazer um mix de produtos e trazer veículos fora da cota”, disse Gandini na terça-feira, 13, durante divulgação do balanço das atividades do setor neste ano. Dentre os reflexos diretos da redução de vendas prevista para 2017 está o desemprego de 4 mil funcionários nas redes de distribuição. “Tínhamos 850 revendas em 2011 e temos hoje 450. As concessionárias serão ainda mais afetadas se não houver a redistribuição de cotas”.
Gandini garantie que o governo já tem decreto pronto estabelecendo a medida. Está engavetado em decorrência da crise política. Pelas contas da Abeifa, as cotas não utilizadas por empresas que deixaram de atuar no mercado brasileiro ou reduziram suas importações geram excedente de 20 mil unidades que poderiam ser repassadas para outras marcas.
Mercado – As vendas de veículos importados pelas associadas da Abeifa atingiram 2.650 unidades em novembro, com pequena alta de 0,4% com relação ao mês anterior, quando foram emplacadas 2.639 unidades. Ante o mês de novembro de 2015, no entanto, o desempenho do setor é negativo, com redução de 33,4%.
No acumulado do ano o quadro é ainda mais crítico. Foram comercializados 32.516 veículos importados, queda de 40,9% em relação aos 55 mil licenciados nos primeiros onze meses do ano passado. De acordo com Gandini, novembro poderia ter sido melhor se as marcas de volumes mais significativos, como a Kia, não tivessem estourado suas cotas anuais: “E, hoje, vender fora da cota proporcional ou do limite de 4,8 mil unidades por ano é inviável. Significa ter prejuízos”.
Produção local – Das associadas da Abeifa, as cinco com produção local – BMW, Chery, Land Rover, Suzuki e Mini – venderam em novembro 1.138 unidades, o que representou alta de 10,2% com relação ao mês anterior. Comparado a novembro de 2015, a queda ficou em 27,5%.
Somados os veículos importados e os aqui produzidos, a participação das associadas da Abeifa no mercado total é de apenas 2,18% no mês de novembro e de 2,43% no acumulado do ano. Considerando somente os veículos importados, a participação das suas associadas é de apenas 1,52% em novembro e de 1,8% no acumulado do ano.
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