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24/01/2017

Muitas surpresas. Enfim do lado certo.

Por S. Stéfani

- 24/01/2017

Depois de quase quatro anos marcados por tantas e tão seguidas surpresas negativas, nem o mais otimista dos executivos da indústria automobilística seria capaz de projetar um começo de ano tão regado de boas noticiais para a área automotiva. Tanto no quadro macro, quanto na esfera especifica do setor.

Os números referentes a vendas de veículos na primeira quinzena de janeiro indicaram que o mês tem boas chances de se encerrar com volume comercializado na área doméstica da ordem 150 mil unidades, pouco mais, pouco menos.

Não é, ainda, resultado de fazer inveja. Mas, pelo menos, é algo bem próximo do registrado no primeiro mês do ano passado. Depois de um largo período com resultado mensal sempre bem abaixo do registrado em idêntico período do ano anterior, não deixa de ser um bom indicativo.

Nas palavras de Antônio Megale, presidente da Anfavea, é a mostra de que embora a roda ainda não tenha começado a girar para o lado certo, o da retomada do crescimento, ao menos, ela parou. Não está mais girando para o lado errado, o da redução constante das vendas, tal como aconteceu nos últimos 24 a 36 meses.

Na área macro, de seu lado, o fato da inflação ter fechado 2016 não apenas com um dígito, mas, sobretudo, no limite superior da meta, fortaleceu a convicção de que neste ano o monstro estará domado e pronto para ser colocado de joelhos no centro da meta.

Em decorrência, acossado que estava pela insistência da economia em se manter num ritmo muito aquém do que seria desejável e, mais que isso, necessário, o Banco Central sentiu-se mais à vontade para subir, neste janeiro, de 0,50 para 0,75 ponto percentual o ritmo de queda mensal da taxa Selic.

E, para completar, no inicio da terceira semana do mês, ao participar em Darvos, Suiça, do Fórum Econômico Mundial, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, surpreendeu uma plateia repleta de executivos e empresários de várias partes do mundo ao afirmar, sem meias palavras, que aquele seria, de fato, o novo ritmo de redução da Selic.

Era a confirmação de que o governo federal falava sério quando se dizia disposto a fazer, neste ano, o melhor de seus esforços para buscar uma redução das taxas de juros vigentes no sistema bancário. Taxas que hoje, de tão elevadas, acabam por impedir ou, no mínimo, dificultar qualquer retomada da economia, da demanda, dos investimentos e, por decorrência, do emprego.

Tudo isso é música da melhor qualidade para os ouvidos dos executivos de um setor, como o automotivo, cujos produtos, por seu valor, tem suas vendas umbilicalmente ligados a disponibilidade e ao custo dos financiamentos.

E não foi só: no final da primeira quinzena a projeção oficial do governo para a safra agrícola deste ano apontou novo recorde da produção, em particular de grãos, justamente os que registram retomada de preços no mercado internacional.

É a firme indicação de renda farta nas áreas agrícolas do Pais ao longo do ano, bem como da certeza de bons fretes para as empresas transportadoras. Um bom horizonte, sem dúvida, para os fabricantes de máquinas agrícolas e de caminhões, exatamente as duas áreas do setor cujas vendas mais caíram nos três últimos anos.

Apesar de tantos sinais positivos nestas duas ultimas semanas, Megale, contudo, ainda acha prematuro mexer na projeção divulgada na primeira semana deste mês pela Anfavea, de apenas 4% de crescimentos nas vendas domésticas do setor neste ano. Ele observa que, depois de tantos anos seguidos de surpresas sempre negativas, até as boas novas acabam, agora, sendo vistas com cautela.

É o caso, por exemplo, da queda mais acentuada das taxas juros que por alguns acabou interpretada como uma má noticia. Argumento: como é geral, agora, o sentimento de que os juros vão cair, a tendência dos consumidores poderá ser a de adiar as compras a espera de condições ainda melhores.

O Brasil, de fato, recomenda prudência por ser, inegavelmente, uma permanente caixa de surpresas, quase sempre, infelizmente, bem pouco agradáveis, como foi o caso da queda, na quinta-feira, em Parati, RJ, do avião que provocou a morte do ministro Teori Zavascki, que era o relator no Supremo Tribunal Federal da operação Lava Jato, em torno da qual flutuam, hoje, as maiores incertezas na área política.

É tudo isso que explica o fato de não ter sido nem um pouco unanime dentro da diretoria da Anfavea a decisão de reduzir, em janeiro, para 4% a projeção de crescimento para este ano que apenas três meses antes, em outubro de 2016, contemplava um digito alto, quase dois dígitos. E a diferença entre as apostas das diversas montadoras, diga-se de passagem, não foi pequena.


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