Mesmo com a retração expressiva das vendas de veículos novos em 2016, a Zen, fabricante de autopeças de Brusque (SC) conseguiu ampliar seu faturamento em 8% no último ano. Para se descolar da tendência de queda do mercado, a companhia apostou em uma reestruturação que envolveu aumento da produtividade e redução do quadro de pessoal. Para este ano, a meta é investir cerca de 10% do faturamento em novos equipamentos para atender clientes conquistados em 2016. Em entrevista exclusiva à Agência AutoData, Gilberto Heinzelmann, presidente da Zen destaca como o equilíbrio entre mercado local, segmento de reposição e exportações colaboraram para o cenário positivo na empresa catarinense fundada em 1960, que tem os impulsores de partida como carro-chefe.
Quais foram as estratégias da Zen para lidar com as dificuldades econômicas enfrentadas pelo país em 2016?
Apesar do cenário econômico conturbado, em 2016 nosso faturamento avançou 8% em relação ao ano anterior. Mesmo assim, ficamos aquém das nossas metas. Prevíamos que a crise econômica seria amenizada no decorrer do que ano e que o mercado apresentaria uma reação. Não foi o que aconteceu, mesmo assim conseguimos um resultado positivo que é fruto de um processo de ajuste à nova realidade do mercado e vem sendo colocado em prática desde 2014. Aumentamos nosso percentual de exportações de forma expressiva. Em 2014, metade das nossas vendas era no país e a outra metade era exportada. Em 2016, as vendas externas responderam por 64% do total. Todo o nosso crescimento veio por conta dessa estratégia, uma vez que o segmento de reposição se manteve estável e as vendas para as montadoras caíram bastante.
Para quantos destinos a Zen exporta atualmente?
Atualmente mandamos nossos produtos para 60 países, mas temos distribuidores em algumas regiões e isso faz com que tenhamos presença em 100 países. Destinos como África e Oriente Médio ganharam destaque em 2016 e também ampliamos nossa participação da América Latina e Europa. É importante frisar que essa estratégia de exportar não foi formulada da noite para o dia, temos uma cultura de exportação. Desde a nossa fundação, em 1960, acreditamos que atuar globalmente é uma boa forma de equilibrar os negócios. Ficar refém de um único mercado é muito mais arriscado, especialmente em tempos de crise. Ainda nessa linha de raciocínio, nenhum dos nossos clientes representa mais de 10% do nosso faturamento.
Qual foi a estratégia para ampliar as exportações em 2016?
Apostamos nos lançamentos. Aproveitamos clientes fidelizados e ampliamos o portfólio. Lançamos 200 itens em 2016, um volume 30% maior do que em 2015. Aprendemos a ser mais rápidos e isso fez a diferença. Em nenhum momento deixamos de investir, afinal estamos em um setor extremamente dinâmico que requer atualizações e tecnologias novas constantemente. Com isso, o faturamento a partir de novos produtos cresceu 50% no ano passado, em relação a 2015, e deve render bons frutos para os próximos anos.
Quais as adaptações necessárias para atender mercados externos?
As plataformas já são globais e não há necessidades de grandes alterações nos nossos produtos para atender os mercados externos. Estamos falando de produtos como impulsionadores de partida, tensionadores, alternadores. São itens vendidos para as sistemistas e atendem às necessidades de qualquer mercado. Temos certificações que demonstram nosso padrão de qualidade e atendem requisitos de manufatura e controle. Em 2016, passamos por auditorias de recertificação e não tivemos nenhuma questão de não conformidade.
Houve redução no quadro de funcionários da companhia?
Há cinco anos tínhamos 1.250 funcionários e hoje são 850 trabalhadores. Precisamos fazer mais com menos, assim como a maioria do setor. É um desafio constante, mas atualmente somos mais produtivos com uma manufatura enxuta. O desafio de motivar os colaborares é constante. A transparência é nossa principal aliada. Não realizamos demissões em massas. A maior parte das vagas fechadas foi por não reposição de pessoal. Em casos mais extremos olhamos a questão da performance dos funcionários. Aqui todo mundo sabe que quem é competente tem espaço para crescer. Vários diretores da empresa começaram no chão de fábrica.
Quais são as previsões da empresa para esse ano?
Encerramos 2016 com boas notícias. Conquistamos a nomeação para fornecer impulsionadores de partida para a Bosch no México e para a BorgWarner no Brasil. Nosso produto possibilitou essas parcerias importantes para esse e os próximos anos e estaremos presentes nos motores com o sistema start stop. Para se ter uma ideia, durante a vida útil de veículo são estimadas 70 mil partidas, mas quando há o sistema start stop isso sobe para 400 mil partidas. Nossa tecnologia proporciona esse aumento de tolerância dimensional e tem nos ajudado a conquistar boas oportunidades.
Vocês vão precisar ampliar a capacidade produtiva para atender esses novos clientes?
Sem dúvida. Já estamos comprando equipamentos de última geração, que chegarão da Europa e do Japão, e vão atender esses novos clientes. Ainda não estamos pensando em reativar o terceiro turno, mas veremos como as coisas acontecem ao longo do ano. Vamos investir cerca de 10% do nosso faturamento de 2016 neste ano. Com os novos clientes, a previsão é que nossas vendas cresçam 6% no ano, apesar de acreditarmos que será mais um ano difícil para o setor como um todo.
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