Veículos comerciais aquecerão produção em 2017

Por Aline Feltrin

- 01/03/2017

Os indicadores macroeconômicos que apontam para uma tímida melhoria no PIB, e o fechamento de novos contratos, fazem com que MWM e Cummins, duas das maiores fabricantes de motores independentes do País, estimem vendas internas melhores por aqui. Pelos cálculos de Thomas Püschel, diretor de vendas e marketing e peças da MWM, do Grupo Navistar, a produção de motores de caminhões para o mercado interno deve chegar a 12 mil unidades, aumento de 5% no comparativo com 2016.

Püschel disse que não espera uma retomada significativa para este setor, “mas a indicação de melhoria em indicadores macroeconômicos possibilita projeções mais positivas”.

Outra aposta da MWM, de acordo com Püschel, é o segmento de reposição: “Com o adiamento da renovação da frota de caminhões e ônibus aumentou a procura por peças de reposição e isso fez com que esta área de negócios crescesse em 2016”.

Sem revelar o faturamento Püschel informou que os negócios realizados no mercado de reposição no ano passado representaram 10% do faturamento e que este percentual deve aumentar para 20% este ano. De acordo com o executivo a revisão e a ampliação do portfólio da empresa puxarão mais o crescimento:

“Este mercado tem papel importante dentro do segmento de veículos porque ajuda a mitigar a queda de vendas dos motores de veículos pesados”.

Apesar de representar uma pequena parte da produção de motores as exportações também ajudaram a atenuar a queda do mercado interno no segmento de veículos. No ano passado a MWM embarcou para outros países 15% da produção de 40 mil motores e para 2017 a previsão é a de que haja aumento de 5% neste volume. O acréscimo acontecerá principalmente por causa de contratos adicionais de empresas do México.

A companhia também exporta para o Egito, Europa, África do Sul e Argentina e a maioria dos motores exportados é de ônibus. Além dos motores veiculares a MWM também produz para os segmentos de construção, agrícola, geração de energia e marítimo. Da produção de 40 mil em 2016 34 mil unidades foram destinadas para o mercado interno – 12 mil para veículos e o restante pulverizado para os demais segmentos –, e 6 mil para a exportação.

A Cummins, que produz motores veiculares e para construção civil, espera aumentar sua participação no segmento de veículos, que hoje é de 28%, para 31% este ano. Como contou Maurício Rossi, diretor de vendas para Argentina, Brasil, Bolívia, Paraguai e Uruguai, projetos em desenvolvimento com Agrale, Ford, Foton e MAN deverão ser responsáveis por este aumento.

Nos segmentos em que atua a Cummins projeta produzir exatas, e marcantes, 18 mil 784 unidades de motores de caminhões ante as 16 mil 678 fabricados no ano passado. Em 2016 o cenário foi outro: a empresa fabricou 6 mil 258 unidades a menos do que em 2015. Para ônibus a companhia estima aumento de quase duzentos motores sobre 2016. A alta também será impulsionada por novos contratos com fabricantes de chassis. Já o segmento de construção não demonstra sinais de recuperação: a previsão é produzir outros exatos 1 mil 938 motores, 571 a menos do que no ano passado.

Na visão de Rossi “obras de infraestrutura previstas pelo governo ainda demorarão para ser iniciadas, e isto reflete esta expectativa de um mercado menor para este ano.”