Mercedes-Benz moderniza fábricas e cuida dos fornecedores

Por Ana Paula Machado

- 07/04/2017

As fábricas da Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo, SP, e em Juiz de Fora, MG, devem se tornar referência para a Daimler no mundo. Segundo o presidente da empresa para a América Latina, Phillip Schiemer, R$ 730 milhões estão sendo investidos principalmente para modernizar as duas unidades e, assim, aumentar a produtividade. Desse recurso, programado para até 2018, já foram gastos mais de 60%. “É uma atualização expressiva. Não fizemos isso nos últimos 30 anos. Todas as linhas precisavam ser modernizadas, os maquinários são antigos.”

Schiemer ressaltou que, dentro dessa atualização, alguns processos que estavam sob o chapéu da fabricante foram terceirizados para melhorar a competitividade das fábricas brasileiras. “Quando viemos para o Brasil, há 60 anos, tivemos que fabricar muitas peças de nossos veículos. Agora, já contamos com fornecedores capacitados para isso. Identificamos quais gargalos da linha de produção impediam os ganhos de produtividade”, disse o executivo sem mencionar que tipo de componente a montadora terceirizou.

A Mercedes-Benz conta com um parque de fornecedores de 400 empresas. A maior parte, segundo Schiemer, se encontra em situação financeira saudável, mesmo com a crise do setor automotivo. A empresa monitora diariamente os parceiros e quando há problema, a Mercedes-Benz analisa como auxiliar o fornecedor a fim de não prejudicar a produção. “Quando a situação é crítica, podemos antecipar recebíveis, comprar matéria-prima ou ceder funcionários para o parceiro. A relação é muito próxima.”

O diretor de compras da Mercedes-Benz, Érodes Berbetz, disse que por meio desse monitoramento diário, a companhia conseguiu detectar que menos de 5% de suas compras é feita em fornecedores em situação crítica. “A partir daí, entramos com o auxílio para que esse parceiro não pare a sua produção. Outra frente é uma ajuda para manter os fornecedores competitivos para quando o mercado voltar.”

A Mercedes-Benz espera um aumento das vendas, principalmente de caminhões, em torno de 10% neste ano. No ano passado, as montadoras instaladas aqui comercializaram 50 mil 559 unidades. Em 2015, esse volume foi de 71 mil 651 caminhões. “Um crescimento de até 15% não afetará tanto esses fornecedores em situação difícil”, disse Berbetz.

Custo Brasil – Segundo Schiemer, mesmo com a melhora da produtividade das fábricas no País, a Mercedes-Benz é pouco competitiva em relação a outras unidades da companhia no mundo. “O custo Brasil é muito alto. Para se ter uma ideia, é 20% mais caro produzir aqui do que no México, por exemplo. Isso se dá não por falta de competitividade dentro das fábricas e sim pela burocracia, pela alta carga tributária e pela falta de uma logística eficiente.”

Para o executivo, a crise econômica que o País enfrenta é uma boa oportunidade para reformas estruturantes. Isso pode melhorar a competitividade brasileira e promover a retomada da economia. “O Brasil tem uma carga tributária alta, mas antes de aumentar os impostos, o governo precisa olhar quais são os gastos que podem ser cortados. O problema não é arrecadação. O dinheiro é mal gasto. Mas, a prioridade absoluta tem de ser o ajuste fiscal.”