Produção é crescente, mas ociosidade permanece alta

Por Ana Paula Machado

- 11/04/2017

A produção de veículos aumentou 24% no primeiro trimestre, com as fabricantes instaladas aqui produzindo 606 mil 840 unidades diante das 491 mil 710 no mesmo período de 2016. Em março a montagem de veículos somou 234,7 mil unidades, aumento de 18,1% no comparativo com terceiro mês de 2016. Os dados foram divulgados pela Anfavea, Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, na quinta-feira, 6.

O seu presidente, Antônio Megale, disse que mesmo com a melhora da produção no período o nível de ociosidade ainda continua alto, principalmente nas fabricantes de veículos comerciais.

“Estamos trabalhando em um nível inferior à média dos últimos dez anos. Esse ritmo não reduz a ociosidade das fábricas. Hoje as empresas utilizam cerca de 50% da capacidade instalada no País e em veículos comerciais essa relação está em 75%.”

Essa capacidade instalada é suficiente para a produção de 5 milhões de unidades/ano.

Para abril a Anfavea já espera um volume menor de produção. Segundo Megale as empresas aceleraram a produção neste trimestre para atender à demanda de exportação e para formar estoque para abril, que terá menos dias úteis de produção e de vendas: “Estamos com estoques adequados para o mês”.

Em março os estoques eram de 218,6 mil unidades, o que equivale a, em média, 35 dias de vendas. Nas concessionárias estavam 139, 6 mil veículos, e nos pátios das fabricantes coisa de 79 mil unidades: “É um volume acima do ideal, que é de trinta dias de vendas. Mas não está muito distante. Isso indica que o mercado está chegando perto da estabilização”.

Em fevereiro o giro era de 205,5 mil unidades, sendo 139 mil nas revendas e 66,5 mil nas montadoras.

Mesmo com a melhora no nível de atividade da indústria automotiva as empresas empregavam, em março, contingente de 103 mil 635 pessoas. A folha de pagamento foi reduzida em 8,7% no comparativo com março de 2016, quando as empresas tinham 113 mil 523 empregados. Quando se compara o número de funcionários também nas fabricantes de máquinas agrícolas e rodoviárias, em março eram 121 mil 48 pessoas empregadas, recuo de 6% com relação ao mesmo mês de 2016.

Megale credita essa queda no volume de mão-de-obra empregada aos ajustes que foram feitos pelas companhias para se adequarem ao mercado. De acordo com o levantamento da Anfavea 10 mil 636 funcionários se encontravam em algum programa de ajuste da produção, ou em lay-off, suspensão temporária do contrato de trabalho, ou no PSE, Programa de Seguro do Emprego, antigo PPE.

“Há um trabalho forte no aumento da produtividade nas fábricas”, contou Megale. “Muitas empresas conseguem melhorar a produção sem abrir mais um turno de trabalho. Esse tem sido o esforço das fabricantes no País.”