A retração de mais de 60% nas vendas de modelos importados do Grupo BMW no primeiro trimestre preocupa. Para Helder Boavida, seu presidente e CEO no Brasil, o antídoto para esse momento particular do segmento premium, no qual se insere, é equilibrar essa balança com o crescimento da participação dos produtos nacionais nas suas vendas.
Mas ele tem uma preocupação ainda maior no curto prazo: o fim dos incentivos do Inovar-Auto para veículos importados – o que pode prejudicar, e muito, a estratégia da companhia no Brasil.
“Cumprimos todas as metas do Inovar-Auto. Mas a forte tendência de acabar com os incentivos de IPI e o regime de cotas não dará a necessária previsibilidade para projetarmos nosso negócio no longo prazo.”
Ou seja: a empresa perderá vantagem competitiva por produzir aqui.
Boavida, que desde fevereiro de 2016 está à frente da operação brasileira, acredita que é necessária uma regulamentação alternativa a partir de 2018 para proteger os investimentos das fabricantes que iniciaram sua operação na era Inovar-Auto. E cita o exemplo da África do Sul, que também passou por fase de ajustes como a indústria nacional vive agora, e que deu condições às empresas novatas de amortizar seus investimentos:
“A África do Sul enfrentou os mesmos desafios que o Brasil está tendo agora. Lá eles mantiveram incentivos para que houvesse uma previsibilidade maior. Trabalhar com um horizonte de cinco anos é muito pouco para a indústria automotiva”.
A Anfavea, Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, trabalha com o governo visando a uma alternativa para proteger os fabricantes de baixo volume. Segundo o presidente Antônio Megale uma opção é estender o regime de ex-tarifário para componentes automotivos sem similar nacional.
“Um motor BMW, por exemplo, é importado porque a empresa não vai produzí-lo aqui. E ele é único. Isso faz com que a alíquota do Imposto de Importação seja menor, em torno de 2%. Talvez isso reduza o impacto com o fim da cobrança dos 30 pontos porcentuais para veículos importados.”
A questão principal para a BMW é amortizar os investimentos para, nos próximos anos, recuperar o tempo perdido com um mercado pouco animador. A fábrica demandou investimentos de US$ 264 milhões: “Em 2016 vendemos 12 mil unidades. Este ano pode ser que não seja possível repetir esse volume. Se chegarmos lá será muito bom”.
No primeiro trimestre foram negociados 1 mil 419 veículos BMW produzidos no Brasil, 24,4% a mais que em igual período de 2016.
Atualmente a fábrica de Araquari, SC, trabalha em um turno de produção, com ociosidade perto de 50%, segundo o presidente: “Fechamos um contrato de exportação de 2 mil unidades do X1 para a região Nafta. Sem esse negócio a ociosidade seria maior.”
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