Ainda que tenha o custo de produção mais caro que o do aço o alumínio vem ganhando espaço nos veículos com a chegada dos motores de três cilindros e também pela busca por eficiência energética. A expectativa do setor produtor de alumínio é a de que sua quantidade aumente dos atuais 60 quilos por carro para 89 quilos até 2025. Se, antes, sua aplicação era relegada à composição de alguns componentes por ser um material leve, agora já é visto em partes estruturais nas quais antes predominava o aço.
Segundo dados da Abal, Associação Brasileira do Alumínio, hoje o setor de transportes, no qual está inserido o segmento automotivo e de implementos, é o segundo maior consumidor do alumínio beneficiado no País, depois do segmento de embalagens. O consumo do material caiu a partir de 2014, junto com a queda das vendas da indústria automobilística. De 249,7 mil toneladas o volume consumido pelo setor de transportes passou a 210,4 mil toneladas em 2015 e a 177,8 mil toneladas no ano passado.
No entanto a entidade acredita que nos próximos cinco anos o volume retome os patamares de crescimento registrados de 2003 a 2013, uma média de 7,6%. Isso se dará, de acordo com Kaísa Couto Machado, gerente da área técnica da Abal, por causa das tendências da construção de veículos e de políticas ambientais que estão sendo adotadas pelas principais fabricantes: “As montadoras estão mais atentas para o custo-benefício do material, ainda que sua produção tenha um preço mais alto. Mas ele se mantém à frente de outros insumos porque consegue reduzir mais o peso dos componentes e existe, também, a questão da reciclagem”.
No Brasil já se percebe a retomada da produção. O balanço do último trimestre da CBA, Companhia Brasileira de Alumínio, controlada pela Votorantim, mostrou que houve crescimento de 9% no volume de vendas com relação ao mesmo trimestre do ano passado. De janeiro a março o faturamento da CBA foi de R$ 1 bilhão 47 milhões. De acordo com dados da empresa 20% de sua produção foram destinados a clientes do setor automotivo.
Para Francisco Satkunas, da SAE Brasil, os primeiros movimentos das empresas já podem ser verificados atualmente. No Brasil ele cita o motor três cilindros do up!, da Volkswagen, e o novo motor 1.6 da Ford, que deverá equipar a próxima versão do Ecosport, que é feito de alumínio:
“Os modelos compactos já trazem mais alumínio porque isso é oferecido ao consumidor como um diferencial competitivo. Mas veremos o insumo nos modelos maiores, como os SUVs, que têm uma necessidade de eficiência no consumo de combustível muito grande. Hoje vemos mais componentes sendo feitos em alumínio, mas será comum no futuro sua presença em áreas estruturais”.
Satkunas estima que, com a redução de 10 quilos no peso do veículo, ele consome em média 7% menos combustível: “A Ford, nos Estados Unidos, percebeu isso e deu início a um processo de substituição do aço pelo alumínio em alguns componentes da Série F. Alguns veículos da BWM e da Land Rover também passaram a aplicar o material em áreas em substituição ao aço”.
Por isso ele acredita que o avanço do material nos projetos de veículos se dará por meio dos modelos da categoria premium. Isso porque a aplicação em si do alumínio nos carros demanda estruturas de produção que hoje só são possíveis em linhas que possuem equipamentos mais modernos. A explicação é que os robôs de soldagem, por exemplo, foram feitos para o uso do aço: “Sair disso provocará mudanças significativas e altos investimentos em novas máquinas”.
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