O bom desempenho da produção de veículos no início deste ano se espalha pela indústria de autopeças. O faturamento dos fornecedores cresceu 23% em abril na comparação com o mesmo período de 2016, segundo o balanço do Sindipeças, Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores, sem revelar cifras. No quadrimestre a receita apresentou alta de 13,7% no comparativo com o ano passado. Fora o crescimento da receita as vendas às montadoras ajudaram também o setor a melhorar a utilização de sua capacidade instalada: em abril, estava em 61%, ao passo que em 2016 foi de 50%: isso remonta ao nível obtido em 2015.
O Sindipeças credita o desempenho à aceleração da produção do setor automobilístico nos últimos doze meses, principalmente no primeiro quadrimestre deste ano. No período saíram das linhas de montagem 801 mil 60 unidades, alta de 20,9% com relação a idêntico período do ano passado, de acordo com a Anfavea, Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores. O cenário gerou aumento dos pedidos, tanto que em abril as vendas para as montadoras representaram 62,3% do faturamento das 64 empresas filiadas ao sindicato. Em abril do ano passado essa participação foi de 55,3%.
Mauricio Muramoto, conselheiro da entidade, disse que aumento dos pedidos das fabricantes representa a interrupção do processo de queda da receita que teve seu pico no primeiro trimestre do ano passado, o que tem melhorado o clima dos negócios do setor: “Ainda estamos em um nível abaixo da capacidade que os fornecedores de peças possuem, mas é um alento se levarmos em consideração o faturamento do começo do ano passado”.
Em abril do ano passado, apontam os dados do Sindipeças, a queda da receita foi de 13% com relação ao mesmo mês de 2015. Em dezembro a queda foi reduzida para 0,8% e, a partir daí, o comportamento da receita foi positivo chegando a alta de 7,4% em abril deste ano.
Em lenta recuperação o nível de utilização da capacidade instalada encolheu 1 ponto porcentual se comparado março a abril, segundo os dados do sindicato. Entretanto, frente a abril de 2016, observa-se recuperação de 11 pontos porcentuais. O emprego cresceu em abril, mas permaneceu abaixo do nível de um ano atrás. O processo de ascensão foi similar ao do faturamento, mostrando que as empresas passaram a aumentar a capacidade à medida que os pedidos das montadoras foram se intensificando.
Em abril do ano passado a taxa de emprego do setor caiu 16,15%. Para Muramoto “havia naquele período mais demissões em função da diminuição dos pedidos das montadoras e poucos avanços nos negócios em outras áreas, como o mercado de reposição, exportações e vendas a outras autopeças”.
As vendas para as fabricantes de veículos cresceram em abril mas na reposição o cenário foi de queda com o mesmo mês do ano passado. O aftermarket representou 16,3% do faturamento do setor de autopeças, enquanto que em abril do ano passado chegou a 19,1% de participação. Para Muramoto os números na reposição melhorarão a partir deste ano, quando se intensificarão os negócios no segmento: “Ainda que o OEM seja responsável pela maior fatia das receitas do setor, o momento é favorável à reposição porque muita gente apostará na manutenção dos veículos em detrimento da compra de novos”.
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