O ajuste fiscal promovido pelo governo federal está demorando mais do que o previsto. É o entendimento de Luiz Carlos Moraes, vice-presidente da Anfavea, que usa de curiosa analogia para definir o momento: “É como um esparadrapo colado à pele: pensamos que seria retirado de uma só vez, para que a dor fosse forte mas imediata, e logo passasse. Mas o que vemos é que, por razões políticas, há uma demora muito grande, que só vai prolongando a dor.”
Em sua participação na abertura do Workshop AutoData de Tendências Setoriais – Ônibus, na segunda-feira, 29, no Milenium Centro de Convenções, em São Paulo, o dirigente afirmou que essa demora na entrada em vigor das medidas fiscais gera falta de previsibilidade e atrapalha os investimentos. “Esse cenário nos obrigou a rever projeções para este ano. Infelizmente as previsões não são boas.”
Moraes ressaltou que um dos segmentos da indústria automotiva que mais sofre é justamente o de ônibus, ao lado dos caminhões. “As decisões de compra nesses setores não são baseadas pela emoção: os empresários precisam de confiança para investir. E, mais do que isso, precisam que a economia se sustente e que o PIB seja positivo.”
Segundo previsões da Anfavea apenas 20 mil chassis de ônibus devem ser comercializados neste ano, em queda de aproximadamente 30% ante o ano passado. “Já tivemos um mercado de quase 35 mil unidades no País e não sabemos quando isso irá se repetir.”
Moraes afirmou que além da falta de previsibilidade as atuais taxas de financiamento também inibem novas compras. “O Finame passou de 6% em 2014 para 13% em 2015. É mais do que o dobro. É difícil convencer os investidores.”
Outro problema que potencializou a queda nas vendas de ônibus neste ano – até maio os emplacamentos recuaram 24,7% ante o mesmo período de 2014 – foi a ausência de compras governamentais para o programa Caminhos da Escola. “Essas vendas haviam criado um novo segmento nos últimos oito anos e de repente isso deixou de existir.”
O vice-presidente da Anfavea afirmou que há algumas frentes sendo estudadas para estimular as vendas de ônibus. “A aposta em BRTs continua. Esse é um mercado promissor: enquanto 1 km de BRT custa de US$ 1 milhão a US$ 2 milhões, o mesmo trecho de construção de metrô pode chegar a US$ 20 milhões.”
Além disso novos mercados para a exportação de ônibus estão na mira das companhias brasileiras. Destinos alternativos à América do Sul, como o Oriente Médio, estão na pauta. “Leva tempo para desenvolver novos parceiros, mas estamos trabalhando nisso. Um ponto que dificulta a questão das exportações é a competitividade.”
De acordo com Moraes há companhias chinesas vendendo ônibus com financiamento em 40 anos e carência de 10 anos para o vencimento da primeira parcela. “A questão é como competir com isso e provar que a estrutura do pós-venda deve ser levada em conta na hora da compra.”
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