AutoData - Trabalhadores da Mercedes-Benz entram em greve no ABC
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24/09/2015

Trabalhadores da Mercedes-Benz entram em greve no ABC

Por André Barros

- 24/09/2015

A segunda-feira, 24, marcaria o retorno dos trabalhadores da Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo, SP, às suas atividades na fábrica, após duas semanas de licença remunerada. Uma assembleia durante a manhã, porém, mudou a programação: em protesto às cerca de 1,5 mil demissões oficializadas pela montadora a partir de 1º de setembro, os funcionários aprovaram, por unanimidade, entrar em greve por tempo indeterminado.

Desde a sexta-feira, 21, alguns trabalhadores recebem telegramas anunciando as demissões. Nele, a montadora culpa o sindicato por não aceitar a última proposta, que incluía a adesão ao PPE, Programa de Proteção ao Emprego, e outras medidas de redução de custo de pessoal, além informar que o período de licença remunerada foi estendido até a segunda-feira, 31. No dia seguinte o funcionário deverá comparecer à empresa para dar entrada ao processo rescisório.

Em comunicado divulgado à imprensa a Mercedes-Benz reafirma o conteúdo do telegrama. Alegou ter tentado, junto com o sindicato, encontrar alternativas para minimizar os efeitos da crise e garantir aos funcionários da fábrica a estabilidade do emprego até agosto do ano que vem. A adesão ao PPE, alega, seria insuficiente.

“Colocamos claramente ao sindicato que além do PPE são necessárias outras medidas de contenção de custo de pessoal, como a reposição parcial da inflação [nos salários] no próximo ano e outras medidas para enfrentar a crise econômica e continuar a gerenciar o excesso de pessoas da fábrica.”

Segundo a companhia o sindicato se recusou a colocar o PPE e essas medidas novamente em votação, uma vez que a proposta muito se assemelharia à rejeitada por 74% dos funcionários em tentativa recente de negociação.

“Diante da ausência de qualquer alternativa e considerando o atual impasse das negociações, a empresa oficializou as demissões, que acontecem a partir de 1º de setembro. Reiteramos que a companhia já tinha destacado essa necessidade nos últimos dias, caso não encontrasse solução em conjunto com o sindicato.”

O sindicato, também em comunicado, promete forte mobilização contra a decisão da montadora. Segundo Sergio Nobre, secretário-geral da CUT, Central Única dos Trabalhadores, “será um processo de forte luta e mobilização até que a empresa revogue a decisão e todos os companheiros voltem a trabalhar”.

Metalúrgicos de São José dos Campos, SP, onde recentemente a mobilização contribuiu para o cancelamento de 798 demissões na General Motors, prometem se juntar à luta dos trabalhadores da M-B no ABC. O Comitê Mundial dos Trabalhadores da Daimler também soltou nota em solidariedade.

Apesar de ter oficializado 1,5 mil demissões a Mercedes-Benz afirma ter mais de 2 mil trabalhadores em excesso na unidade de SBC. Desde o começo do ano passado a companhia adota medidas para gerenciar esse excedente, provocado, segundo a empresa, pela redução na demanda por caminhões e ônibus no mercado brasileiro: banco de horas, semanas curtas, férias e folgas coletivas, licenças remuneradas e PDVs.

De julho a novembro a montadora colocou trabalhadores em lay off, com parte dos vencimentos arcada pelo FAT, Fundo de Amparo ao Trabalhador. Em dezembro, sem reação do mercado, a companhia prorrogou o lay off até setembro e se comprometeu a assumir todos os custos.


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