“A Volkswagen precisa de um recomeço – também em termos de pessoas. Estou abrindo caminho para este recomeço com a minha demissão”.
Com essas palavras Martin Winterkorn renunciou ao cargo de CEO do Grupo Volkswagen na quarta-feira, 23. O executivo admitiu responsabilidade sobre as irregularidades encontradas nos motores a diesel de alguns veículos companhia, pivô do escândalo que sacode os Estados Unidos e já teve reflexo na Europa e Ásia, mas resolveu pedir demissão.
Na sexta-feira, 18, a EPA, agência de proteção ambiental dos Estados Unidos, divulgou que veículos produzidos pela companhia violaram testes de emissões de poluentes. A Volkswagen admitiu que desenvolveu um software capaz de burlar essas verificações, que foi instalado em mais de 11 milhões de veículos. As investigações ultrapassaram as barreiras estadunidenses e já foram requeridas por autoridades da Alemanha, França e Coreia do Sul.
No comunicado divulgado por Winterkorn, o alemão afirmou que pediu demissão ao Comitê Executivo para atender os interesses da companhia. “Não tenho conhecimento de nenhuma atitude errada da minha parte. O processo de investigação e transparência deve continuar. Essa é a única maneira de ganhar a confiança de volta”.
Em outro comunicado o Comitê Executivo do Grupo Volkswagen isentou o CEO de ter conhecimento prévio da manipulação dos dados de emissões e elogiou Winterkorn por assumir a responsabilidade. “Esperamos por consequências a pessoas nos próximos dias. As investigações internas prosseguirão e todos os participantes desse processo que gerou danos imensuráveis à companhia estão sujeitos a todas as consequências”.
Winterkorn, de 67 anos, estava à frente da companhia desde 2007. Há cinco meses ele venceu uma queda de braço com um dos principais acionistas da Volkswagen, Ferdinand Piech, patriarca e ex-presidente do Conselho – as famílias Porsche e Piech detêm 51% do capital votante da empresa. Na ocasião Piech tentou demitir o CEO, mas Wolfgang Porsche, líder da família, ficou do lado do executivo.
Segundo o The Wall Street Journal Americas uma reunião dos principais acionistas da Volkswagen estava planejada para este semana para ratificar a prorrogação do contrato de Winterkorn até 2018. A explosão do escândalo fez com que o tema da reunião mudasse e o CEO renunciasse ao cargo antes do término de seu contrato.
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