AutoData - Faturamento da indústria de Caxias do Sul recua 10 anos
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11/01/2016

Faturamento da indústria de Caxias do Sul recua 10 anos

A indústria automotiva de Caxias do Sul, RS, acumula, de janeiro a outubro, recuo de 31% em seu faturamento, que totaliza pouco mais de R$ 7,9 bilhões, na comparação com igual período do ano passado. O setor representa 71,5% da receita gerada pela atividade metalmecânica na cidade, que foi, no mesmo período, de R$ 11,1 bilhões, em queda de 27%, e o menor valor desde 2006.

O declínio impactou de forma severa o mercado de trabalho. Nos 10 meses do ano foram fechados 7 mil 363 postos formais nos três setores que compõem o segmento metalmecânico. A expectativa é que mais 1,5 mil dispensas ocorram no último bimestre reduzindo, para 37 mil o número total de empregados, que era de 55,4 mil no início de 2014.

O cenário foi apresentado por Getulio Fonseca, presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico, o Simecs, na abertura do Fórum Automotivo Regional do Rio Grande do Sul, promovido por AutoData Editora nesta quarta-feira, 9, em Caxias do Sul. De acordo com o dirigente sindical, mesmo com a retomada da atividade econômica, as vagas fechadas não serão reabertas, pois o setor está investindo na automação industrial como forma de melhorar a competitividade. Também destacou que a média de salários na cidade teve recuo de 30% neste ano.

Para Fonseca, o ano que vem continuará sendo de retração forte em função da falta de perspectivas de mudanças na condução política e econômica do País. Cita que, além dos problemas atuais continuarem, como PIB negativo, inflação e taxas de juros altas, o cenário se agravará com o previsível retorno da cobrança da CPMF e do aumento geral na carga de impostos. “Números iguais aos de 2010, quando chegamos aos R$ 23 bilhões, somente serão possíveis lá por 2022”.

Logística cara – Um agravante na crise local é o custo da logística de transporte, que participa com 18% a 20% na composição dos preços dos produtos. Getulio Fonseca expôs que a cidade consome em torno de 650 mil toneladas anuais de aço plano, volume que tem origem, quase que total, no Centro do País e para onde volta manufaturado.

“Caxias do Sul responde por 60% do aço plano que chega ao Rio Grande do Sul, tudo por via rodoviária. Portanto, não é de se estranhar quando as empresas daqui resolvem colocar plantas industriais em outras regiões”.

Pelos dados do Simecs, 65% das vendas das indústrias caxienses são feitas para clientes de outros estados. Apenas 17% ocorrem dentro do Rio Grande do Sul e os 18% restantes têm origem nas exportações.

Como forma de amenizar o custo logístico, o setor trabalha junto a Rumo ALL, detentora da concessão para exploração da malha ferroviária na região, para implantação de terminal rodoferroviário em Vacaria, cidade distante 100 quilômetros de Caxias do Sul.

“O espaço já existe, bastam ajustes para que volte a funcionar. Com isso, poderíamos poupar quase 3 mil quilômetros de transporte rodoviário, o que reduziria o custo de logística.”


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