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20/06/2016

Que não se perca o senso de urgência

Por S Stéfani

- 20/06/2016

Completada a primeira semana de trabalho os novos ocupantes das mesas governamentais de Brasília, DF, ainda permanecem com o foco fechado no quadro econômico mais macro. É até compreensível que assim seja na medida em que, neste primeiro momento, o que se busca, ainda, é saber o tamanho e a qualidade real do problema a ser enfrentado, ponto de partida básico para a definição da estratégia a ser adotada para encarar a difícil e complexa situação econômica do País.

Que não se perca, todavia, o senso de urgência. No chamado mundo real fora de Brasília, aquele formado pela indústria, pelo comércio e pelo setor de serviços, a cada minuto que passa a situação das empresas mais se deteriora, com reflexos diretos e de curto prazo na vida de seus empregados e das comunidades nas quais estão inseridas.

Depois de meses e meses de queda constante em seu volume de negócios neste mundo real as empresas, de forma geral, operam, agora, com o ociosidade próxima da metade de sua capacidade total de trabalho. A consequência natural é que, hoje, todos se colocam na defensiva.

Sem alternativa cada qual acaba obrigado a repassar para o elo seguinte o comunicado de que, infelizmente, reduzirá a encomenda ou, cada vez com mais frequência, atrasará o pagamento.

O mais recente balanço divulgado pela área bancária mostrou um retrato perfeito da profunda distorção que está criada: o valor da provisão para créditos de recebimento duvidoso superou o valor do lucro registrado pelos bancos.

É bem verdade que parte desta situação decorre de créditos concedidos a empresas direta ou indiretamente ligadas à Operação Lava Jato. Mas parte nada desprezível vem também da dificuldade cada vez maior que as empresas do chamado mundo real vêm encontrando para manter seus compromissos internos e externos relativamente em dia.

E é exatamente este ponto, que se configura em nó de bom tamanho, que os novos ocupantes das mesas de Brasília precisarão colocar como suas principais prioridades. Na frente, talvez, até da questão macro, sob pena de comprometer irremediavelmente os resultados do segundo semestre e, por decorrência, deste ano inteiro. Sobretudo na área do emprego.

Como até mesmo algumas das grandes empresas nacionais e multinacionais deste chamado mundo real vêm recorrendo à postergação de pagamentos como forma de reequilibrar seus respectivos fluxos de caixa o oxigênio começa a faltar ao longo de toda a cadeia econômica.

A porta natural de saída, que seria o crédito bancário, está fechada. Também na defensiva, os bancos a cada dia tornam-se mais seletivos e passam a adotar taxas de juros cada vez mais elevadas, o que dificulta mesmo qualquer tentativa de renegociação de créditos anteriores.

Não resta dúvida de que sem arrumar o quadro macro não há como reconquistar a confiança no futuro de médio e longo prazo das empresas e de seus consumidores, ponto fundamental para se iniciar o processo de reativação da economia no País.

Mas que não se perca, vale insistir e ressaltar, o senso de urgência: no curtíssimo prazo a cada dia é mais fundamental conceder suprimento básico de oxigênio para as empresas. Conceder um mínimo de fôlego.

Ainda que, talvez, neste primeiro momento, apenas por meio de linhas voltadas especificamente a crédito de giro, sem qualquer ligação direta com consumo final de bens.

Naturalmente a um custo minimamente aceitável. E, de preferncia, com carência suficiente para dar a todos a efetiva possibilidade de aguardar o rearranjo do quadro macro.


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