A unidade da Mercedes-Benz de São Bernardo do Campo, SP, determinou a paralisação das atividades por tempo indeterminado a partir de segunda-feira, 15, concedendo licença remunerada a todos os seus colaboradores da fábrica, com exceção daqueles que exercem atividades essenciais, como bombeiros e seguranças.
Em comunicado, a montadora diz que “essa medida está sendo tomada em razão da drástica redução de vendas de veículos comerciais nos últimos anos, que provocou um excedente de mais de 2 000 pessoas na unidade”.
O anúncio da decisão já havia sido informado aos seus empregados no sábado, 13. De acordo com Moisés Selerges, diretor administrativo do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e funcionário da Mercedes-Benz, entrevista para a Rádio Brasil Atual, a empresa começará a demitir essa semana por telegrama.
São afetadas mais de 9,5 mil pessoas, o atual quadro funcional da unidade do ABC. Do total, 1,4 mil funcionários já estavam afastados em licença remunerada. Mais recentemente, a empresa já havia aberto PDV, Programa de Demissão Voluntária, em duas ocasiões, de 1º de junho e 8 de julho e de 20 de julho a 25 de julho, com adesão de 630 voluntários, reduzindo o excedente, portanto, para 1 870 pessoas.
Em setembro do ano passado, a montadora aderiu ao PPE, Programa de Proteção ao Emprego, com redução de 20% de jornada de trabalho e de 10% nos salários, que se estendeu até maio. A companhia resolveu não renovar o PPE e os trabalhadores incluídos no programa têm estabilidade até 31 de agosto.
Segundo a Mercedes-Benz, “apesar de todos os esforços feitos pela Empresa desde 2014, como a adoção de vários medidas de flexibilidade e diversas oportunidades de desligamentos voluntários para gerenciar esse excesso, só nos resta estender a licença remunerada a todos os colaboradores dessa planta”.
A unidade de São Bernardo do Campo produz caminhões e ônibus, mercados que experimentam quedas de vendas no acumulado até julho de 30,9% e de 33,4%, respectivamente. O diretor do sindicato reconhece a acentuada crise nos negócios de pesados, mas que vai não aceitar essa situação sem lutar. “Não temos uma receita pronta, mas temos disposição e vontade política de evitar as demissões.”
Por comunicado via Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, a representação dos metalúrgicos na montadora convocou assembleia na seda da entidade para a quarta-feira, dia 17, às 10 horas.
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