Mais uma vez os trabalhadores da Mercedes-Benz se manifestaram em protesto às demissões anunciadas pela empresa. Depois de assembleia realizada às 8h da manhã de quinta-feira, 18, na porta da fábrica, os metalúrgicos saíram em passeata pelas ruas do entorno até ocuparem a marginal da Rodovia Anchieta no sentido litoral, entre os km 14 e 16. A rodovia só foi totalmente por volta da 10h40, segundo a concessionária Ecovias.
Segundo o sindicato está prevista nova manifestação na sexta-feira, 19, às 9h, em frente a fábrica. Mas também a entidade receberá a visita do ministro interino do Trabalho e Emprego, Ronaldo Nogueira, às 10h, para uma conversa sobre a situação dos trabalhadores da fabricante e a crise do setor automotivo. De acordo o presidente do Sindicato, Rafael Marques, o objetivo do encontro é solicitar o apoio do Ministério na busca de soluções que possam ajudar a reverter a demissão de 2 mil trabalhadores, anunciada pela montadora.
“O setor automotivo como um todo vive uma crise muito forte e com certeza há medidas que o governo pode adotar para interferir de forma positiva nesse cenário”, acredita o dirigente. “A situação na Mercedes-Benz é emergencial e vamos solicitar apoio para as negociações com a fábrica.”
De acordo com o sindicato, os trabalhadores continuarão mobilizados, conforme decisão em assembleia, realizando manifestações diárias até que a empresa se disponha a negociar alternativas à rescisão dos contratos de trabalho do pessoal excedente.
“Ontem (quarta-feira, 17) tivemos uma conversa com a direção da fábrica, mas não tem havido espaço para negociar”, afirma Moisés Selerges, diretor executivo do sindicato e trabalhador na Mercedes-Benz. “Eles partem da premissa de que o corte do excedente tem de ser efetivado, inclusive porque é uma determinação da matriz, na Alemanha. Vamos continuar conversando com a empresa para tentar convencê-los de ampliar o diálogo.”
Em nota, a Mercedes-Benz confirma as demissões, mas não o número de funcionários. “Apesar da redução do quadro de pessoal ser inevitável, a companhia se reuniu com o sindicato ontem (quarta-feira, 17) e continua em negociações com a entidade no dia de hoje (quinta-feira, 18).”
A fábrica da montadora está paralisada desde a segunda-feira, 15, inicia da licença remunerada determinada pela empresa a todos os colaboradores por tempo indeterminado. Segundo o sindicato, parte dos trabalhadores já recebeu telegrama informando a rescisão do contrato de trabalho a partir de setembro, data na qual termina o período de estabilidade garantido pela adesão da empresa ao PPE, mas não renovado pela montadora.
Notícias Relacionadas
Últimas notícias