As diretrizes da ansiada nova política industrial para o setor automotivo servirão para direcionar o papel do Brasil dentro do futuro contexto global. Em palestras durante o 4º Fórum IQA da Qualidade Automotiva, realizado na manhã de segunda-feira, 19, no Milenium Centro de Convenções, em São Paulo, o presidente da Anfavea, Antônio Megale, e do Sindipeças, Dan Ioschpe, defenderam planos de longo prazo com especial atenção à competitividade interna e externa.
“A nova política industrial é importante para direcionar para onde vamos. Precisamos manter os ganhos obtidos com o Inovar-Auto e buscar maior competitividade para nos posicionar entre as mais relevantes indústrias do mundo”, disse Megale. “Precisamos decidir: somos uma indústria de 3 milhões de unidades ou poderemos competir dentro de um cenário de 90 milhões de veículos? É o momento de preparar o futuro”.
Megale destacou os avanços obtidos com o Inovar-Auto, em especial com a entrada de tecnologias que alinharam a indústria nacional aos padrões globais. Mas ressaltou que ainda há alguns entraves a serem resolvidos, como o da fragilidade da cadeia de suprimentos.
“Fazemos parte de um negócio global”, afirmou Ioschpe. “Não competimos apenas entre nós, disputamos também com outros países. Isso é a competitividade: quanto custa, quantos PPM, prazo de entrega.”
Em sua apresentação, o presidente do Sindipeças revelou dados sobre a atual situação da indústria de autopeças, que perdeu mais de R$ 15 bilhões em faturamento e fechou mais de 50 mil postos de trabalho desde 2012. “A indústria de autopeças precisará de incentivos”, afirmou.
Ioschpe citou como exemplo um segmento que ganhou grande importância no contexto nacional e global, mas ainda é pouco desenvolvido na cadeia brasileira: a indústria de eletroeletrônicos automotiva. Segundo ele, é preciso criar uma política para atrair investimentos nessa área.
Os dois executivos defenderam também programas de longo prazo, com no mínimo dez anos de duração – mas com possibilidade de, em cinco anos, ser rediscutido e atualizado, caso necessário.
O que montadoras e autopeças desejam é um balanceamento entre exportações e mercado doméstico, para diminuir a dependência de um ou outro dentro de seus negócios. Rodrigo Custódio, diretor da consultoria Roland Berger, apresentou em seu painel números que ilustram os anseios de ambos:
“O excesso de capacidade continuará nos próximos anos. É preciso preenchê-la com mercado interno e externo, que este ano somará 500 mil unidades, o que ainda é pouco dentro do contexto mundial”.
Custódio ressalvou, porém, que isolada apenas a América Latina, que consome em torno de 3 milhões de unidades/ano, o desempenho da indústria nacional vai bem. “Mas devemos brigar pelo mercado global, que é de mais de 80 milhões de unidades por ano. Para isso, precisaremos abrir o Brasil para competir com o restante do mundo”.
Inflexão – Os palestrantes concordaram, cada um em sua apresentação, que o fundo do poço da indústria chegou e, daqui para frente, começa a recuperação. Segundo Ioschpe a curva de comparação dos resultados da produção de um mês de 2016 com 2015 será revertida em algum momento ainda este ano, até porque a base dos últimos meses do ano passado é baixa.
Megale considerou, porém, que a situação política do País ainda não foi definida, ao contrário do que ele mesmo acreditava no começo do mês e comentara na coletiva à imprensa da Anfavea. Segundo ele, ainda levará algum tempo para as coisas apaziguarem, o que não significa que algumas medidas importantes não sejam tomadas ainda neste semestre.
Já Custódio ressaltou que a recuperação da economia e do mercado nacional será lenta. “O retorno ao patamar de 3 milhões de unidades deverá ocorrer apenas em 2020”.
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