Quando lançou o Celta no Brasil, em 2000, a General Motors fez estardalhaço para divulgar que o modelo seria o primeiro a ser vendido pela internet no Brasil. O hatch saiu de linha no ano passado após mais de 560 mil unidades fabricadas. Muito poucas negociadas pela rede mundial de computadores e, ainda assim, somente naquele início, com desconto de 7% sobre o valor praticado nas próprias revendas, que também dispunham de quiosques com terminais onde o cliente comprava o veículo “pela internet”.
Não chega a ser uma total novidade, assim, a iniciativa da Citroën, revelada nesta quarta-feira, 26, que apresentará no Salão do Automóvel de São Paulo, em novembro, versões e-commerce dos nacionais C3 e Aircross, batizadas de St@rt, que terão vendas exclusivas pela internet.
O sistema proposto pode até ser semelhante, mas os tempos são bem outros – uma geração inteira de consumidores –, o cliente ainda mais e a fabricante quer dar muito mais passos no terreno digital, ainda que um de cada vez.
Paulo Solti, diretor geral da Citroën do Brasil, aponta, por exemplo, que a marca dispõe hoje de mais de 11 milhões de fãs no conjunto de suas plataformas sociais em todo o mundo – só a Citroën brasileira tem 4,2 milhões de seguidores no Facebook e 112 mil no Instagram.
“No Brasil, o universo de pessoas que costuma comprar produtos e serviços pela internet e que estão potencialmente no momento de trocar seus carros superam 5 milhões por mês”, diz o executivo, que aponta ainda que a média de visitas às revendas antes da compra caiu de cinco para três por pessoa e que 85% dos clientes consultam sites antes de optar por um modelo.
“O incentivo naquela época era praticamente a redução fiscal e só”, recorda Solti, em referência à aventura pioneira do Celta. “Hoje o consumidor tem outro comportamento, está muito mais conectado com o mundo digital e demanda outros serviços de mobilidade que ofereceremos mais à frente.”
O executivo não revela quais serviços terá no cardápio do site, mas admite que as versões St@rt serão mais baratas do que às equivalentes já oferecidas na rede. Neste caso, enfatiza, decorrência também de bom acerto com a rede de concessionários, custos de distribuição e estoques reduzidos e ganhos de eficiência na produção. Afinal o consumidor poderá escolher somente a cor dos produtos St@rt, que terá equipamentos exclusivos, mas nenhum opcional.
O consumidor contará com site dedicado para isso. Nele poderá gerar boleto eletrônico para pagamento ou até financiar o carro. Solti assegura que a presença na revenda escolhida será necessária somente mesmo para a retirada do veículo ou caso o cliente queira dar seu usado como parte de pagamento e, para isso, o negocie com o concessionário antes de concluir a transação no computador de sua casa.
Solti assegura que não é intenção da Citroën versões e-commerce para todos os modelos que vende aqui, algo que ampliaria a complexidade do sistema e da produção neste primeiro momento. A Citroën quer, antes, colher experiências dessa primeira investida – que já tem outros passos definidos e que serão revelados durante o salão paulistano – e aprimorá-la.
O aprendizado será importante não só para a equipe de Solti, para a rede de revendedores e também para a fábrica da PSA em Porto Real, RJ, onde são fabricados C3 e Aircross, mas para a própria montadora globalmente. O diretor ainda desconhece qualquer filial da PSA que já disponha de vendas integralmente pela internet.
“A mobilidade deve ser entendida de maneira mais ampla do que o simples deslocamento das pessoas. Proporcionar uma maior flexibilidade no momento da compra do veículo 0 km é uma das maneiras de contribuir para a qualidade de vida dos clientes”, afirma Solti.
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