A direção da Volkswagen fechou acordo com Departamento de Justiça dos Estados Unidos sobre o Dieselgate, como ficou conhecido o escândalo dos motores a diesel da montadora dotados de dispostivo capazes de burlar os testes de emissões.
Pelo acordo a montadora reconhece a culpa pela fraude e pagará multa US$ 4,3 bilhões. Analistas internacionais entendem que a empresa decidiu pelo consenso neste momento para se antecipar a qualquer movimento do novo governo de Donald Trump, que começa no próximo dia 20. O mercado receia que o imprevisível Trump possa adotar medidas que contrariem sobre tudo interesses de empresas estrangeiras.
O acordo com a Justiça dos Estados Unidos inclui ainda monitoramento indepedente da empresa pelos próximos três anos e surge exatamente quando a montadora trabalha para resgatar sua imagem por meio de novos produtos e tecnologias, prejudicada em 2015 com a denúncia do Dieselgate.
A Volkswagen afirma que nenhum membro ou ex-membro de seu conselho administrativo estava envolvido na trapaça e que não divulgou informações antes porque esperava chegar a um acordo negociado com as autoridades estadunidenses. A companhia concordou em gastar até US$ 17,5 bilhões nos Estados Unidos para resolver as pendências com os órgãos reguladores, proprietários e revendedores, bem como se ofereceu para recomprar quase 500 mil veículos fraudados e vendidos naquele País.
No fim de semana passado, horas antes da abertura do Salão de Detroit, Oliver Schmidt, alto executivo da Volkswagen nos Estados Unidos entre 2014 e 2015, foi preso pelo FBI em Miami, quando voltava de férias. O executivo alemão é acusado de ter ciência da adoção do software secreto. Fontes asseguram que promotores se preparam para pedir a prisão de mais executivos da montadora nos Estados Unidos.
Recorde – Apesar de toda essa confusão, o Grupo Volkswagen, que inclui doze marcas de automóveis e comerciais leves, registrou vendas recordes em 2016, com 10,3 milhões de veículos em todo o mundo. O crescimento de mercados como os da China e da Europa compensaram recuos da montadora no Brasil e nos Estados Unidos e permitiram avanço global de 3,8% sobre o ano anterior. Com esse volume a montadora deve ser confirmada como a maior fabricante do mundo no ano passado, à frente da Toyota.
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