Tendo a América Latina como mercado já consolidado, a Marcopolo implementará ações para avançar em outras regiões. Oriente Médio, África e Ásia receberão atenção especial nesta estratégia da fabricante de carrocerias de ônibus, que projeta crescimento de 5% a 10% nos volumes a serem comercializados no exterior em 2017 na comparação com o ano passado, já definido como um dos melhores resultados na história da companhia em negócios externos. Em 2016, a Marcopolo produziu 2 mil 770 unidades para exportação, alta de 57%, e outras 1 mil 970, em queda de 10,5%, foram montadas nas controladas localizadas em outros países.
Embora estime volumes crescentes, o CEO Francisco Gomes Neto alerta que, possivelmente, os resultados não evoluam na mesma proporção em razão da apreciação do real. Lembrou que, no início de 2016, a cotação estava próxima de R$ 4,00; atualmente está perto de R$ 3. Uma das alternativas, além da manutenção das ações de redução de custos, é o reajuste do preço em dólar, acrescentou José Antonio Valiatti, CFO & Diretor de Relações com Investidores.
Francisco Neto expôs que a empresa está acelerando ações para ganhos operacionais e de eficiência nas controladas e coligadas localizadas no exterior. Destacou que todas, com exceção do Egito, têm potencial expressivo de crescimento. Anunciou durante a teleconferência, realizada na manhã desta sexta-feira, 24, para apresentação dos resultados de 2017, que a empresa está revendo e deverá reduzir sua atual participação de 49% na sociedade existente no Egito.
Em relação ao mercado interno, a visão da companhia é de tímida, mas gradual, retomada a partir do segundo semestre. O CEO reconhece que há movimentos interessantes de clientes, mas ainda muito tênues. Valiatti, por sua vez, acredita que 2016 foi o piso do mercado interno, com o pior volume dos últimos anos, na casa de 9,8 mil unidades, recuo de 26% sobre 2015. Exigência de elevadores para novos veículos, redução da idade média da frota de rodoviários e lançamento de mais um edital para o programa Caminhos da Escola, dentre outros, são fatores que deverão influenciar no resultado. Gomes Neto salienta, no entanto, que as condições econômicas do país ainda são forte obstáculo para a recuperação mais consistente.
A carteira de pedidos na Marcopolo, segundo o CEO, tem visibilidade curta, somente até março. Afirma que existem vários projetos em negociação, mas dependentes da situação econômica e da disponibilidade de chassis. Reconheceu, porém, que a carteira deste início de ano é melhor que a do mesmo período de 2016.
Também confirmou que a empresa iniciou, no último trimestre do ano passado, movimento de recomposição de margens por meio do repasse de preços. “É um processo difícil, especialmente neste momento em que a crise atinge a todos”, assinalou. Reforçou, no entanto, que a companhia continua trabalhando na redução de custos como outra forma de recomposição de margens.
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