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29/05/2017

Ford deve cortar 20 mil empregos

Por Redação AutoData

- 29/05/2017

A Ford deverá cortar 10% de sua folha de pagamentos como parte de plano que prevê a retomada de seu valor de mercado, por meio de redução de custos de US$ 3 bilhões e do aumento de rentabilidade em sua operação global. Se confirmada, a medida atingirá 20 mil funcionários e deve acontecer até outubro. As informações são do The Wall Street Journal.

A Ford tem 200 mil funcionários no mundo inteiro, metade dos quais trabalhando na América do Norte.

Os cortes podem começar esta semana, disseram fontes ao jornal, sem indicar em quais fábricas e países aconteceriam. Já a agência Reuters informou que as demissões serão realizadas em unidades da América do Norte e da Ásia.

Assim que o assunto veio à tona na terça-feira, 16, a companhia emitiu comunicado no qual não aclara se, de fato, os cortes serão feitos. No documento a empresa afirma que seus esforços estão focados em oportunidades emergentes e que não comenta especulações: “Continuamos focados nas três prioridades estratégicas que incluem o fortalecimento dos pilares de lucro no nosso segmento, a transformação das áreas que tradicionalmente têm desempenho operacional menor e o investimento agressivo, mas com prudência, nas oportunidades emergentes”.

Segundo o Wall Street Journal profundos cortes de empregos nos Estados Unidos poderiam desencadear reação política, pois o presidente repetidamente disse que fabricantes de automóveis, como a Ford, são exemplos de empresas que criam postos de trabalho. Em abril Donald Trump pressionou a empresa a voltar atrás na decisão de produzir no México e de investir em fábricas no país. A Ford comprometeu-se a cancelar a construção de uma nova fábrica. Com o dinheiro economizado no México a empresa criará setecentos empregos em Michigan.

Além da pressão política há a pressão interna. Na semana passada Mark Fields, o seu presidente, foi questionado por integrantes da diretoria e por investidores sobre o fraco desempenho de ações da empresa em uma era de lucratividade recorde. A Ford lançou uma série de novos investimentos em tecnologia em sua gestão, incluindo um programa de US$ 4,5 bilhões em veículos elétricos e um projeto agressivo de automóveis autônomos.

Fields trabalhou para aliviar as tensões políticas mas não conseguiu, por outro lado, responder às preocupações dos investidores sobre a capacidade da Ford de enfrentar uma recessão ou encontrar novas fontes de receita. A fabricante registrou lucros substanciais nos últimos anos, incluindo a entrega de dois anos consecutivos de lucro recorde, mas seu valor de mercado afundou abaixo da fabricante de carros elétricos Tesla no início deste ano.

A Ford vem ampliando constantemente sua força de trabalho assalariada e sindicalizada desde a crise financeira de 2008. Embora muitos funcionários tenham sido contratados para a empresa atender à demanda externa, Fields também promoveu contratações para apoiar novos empreendimentos da empresa na área de tecnologia. Estes novos projetos incluem a unidade Ford Smart Mobility, no Vale do Silício, Califórnia, onde vários gigantes da tecnologia desenvolvem carros para compartilhamento e veículos autônomos.


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