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24/07/2017

thyssenkrupp encolherá no mundo

Por Henrique Skujis

- 24/07/2017

No dia em que o CEO mundial da thyssenkrupp está no Brasil, para sua visita anual às fábricas sul-americanas e para participar do seu fórum regional, a companhia anunciou a intenção de reduzir os gastos em suas operações no mundo com processos, estruturas gerais e administrativas em € 400 milhões. Esse custo anual chega a € 2,4 bilhões. As medidas para atingir a meta devem ser adotadas nos próximos três anos, até setembro de 2020. O plano de demissões ainda está em estudo, mas o grupo já anunciou que “apesar dos esforços a adoção das medidas de ajuste não será possível sem redução de pessoal”.

A estimativa é que de 2 mil a 2,5 mil dos 18 mil empregos administrativos do grupo sejam afetados, sendo metade na Alemanha.

Com um programa de eficiência iniciado em 2011/2012 a thyssenkrupp já obtivera economia anual de € 1 bilhão. A empresa afirmou, no entanto, que a economia não foi suficiente para gerar fluxo de caixa sustentável. Giovanni Pozzoli, CEO da empresa na América do Sul, acredita que o anúncio não afetará o Brasil: “Perto dos efeitos já causados pela crise do mercado, esse corte deve ter um efeito imperceptível”.

Segundo Pozzoli as seguidas quedas nas vendas nos últimos anos são muito mais impactantes do que o corte anunciado.

José Carlos Cappuccelli, CEO da fábrica da thyssenkrup em Campo Limpo Paulista, SP, disse que cortes no Brasil ainda dependem dos estudos que serão feitos nos oitenta países onde a empresa está presente. Aqui a companhia possui onze unidades, em Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo. Nas diversas áreas, do chão de fábrica ao setor administrativo, são 8 mil funcionários. Segundo Cappuccelli a medida já vem sendo trabalhada há muitos meses e não causou surpresa: “A verdade é que as empresas precisam se adaptar ao mercado”.

De 2016 e 2017 a fábrica em Santa Luzia, MG, fez um corte de 90% dos funcionários, de seiscentos para 58:

“Nossa vantagem em Campo Limpo é que estamos sempre atualizados, com alta tecnologia nas linhas, e fazendo o necessário para sobreviver. É a única forma de se manter nesse mercado. Não é preciso os dedos sequer de uma mão para contar quantas forjarias estão trabalhando no Brasil. Nós sempre fizemos a lição de casa. Então pode ser que não aconteça nada aqui”.

O executivo diz que nós últimos três anos, em Campo Limpo, que conta com força de trabalho de 2,5 mil pessoas, a empresa já demitiu e recontratou quatrocentas. Com o mercado interno em baixa a unidade paulista, que fabrica principalmente virabrequins para veículos pesados, exporta 65% de sua produção.

DIREÇÃO ELÉTRICA – Heinrich Hiensinger, CEO global da companhia, voltou a dizer na terça-feira, 11, que a empresa deverá produzir sistemas de direção elétrica em São José dos Pinhais, a partir de 2018 A fábrica fornece colunas de direção convencionais para Fiat, General Motors, Renault e Volkswagen. Como a thyssenkrupp tem contrato com outras montadoras em diversas partes do mundo e as empresas no Brasil precisam aumentar seu índice de nacionalização, há a possibilidade, observa Cappuccelli, de outras marcas, como BMW e Mercedes-Benz, passarem a comprar o sistema a ser produzido no Paraná:

“É uma evolução natural da indústria. Se quiser ter produto de última geração para equipar os novos carros que estão saindo da linha de montagem tem que se adaptar”.


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