Chery recebe proposta de R$ 208,9 milhões por operação brasileira

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A Chery já recebeu proposta pela compra do controle da operação brasileira, que está à venda desde outubro, como adiantou AutoData, e que envolve a oferta das áreas de gestão, distribuição e os ativos de produção instalados em Jacareí, SP. A oferta tem o valor de R$ 208,9 milhões, cerca de R$ 894 mil a mais do que o esperado pela empresa na oferta pública divulgada no mês passado. O anúncio da proposta foi publicado pela empresa na bolsa de valores de Anhui, China, na quarta-feira, 8.

 

A bolsa não divulgou quem foi ou quais foram os investidores titulares do lance, que a partir de agora passará por análise da entidade financeira até a terça-feira, 14. Caso seja aprovado, segundo as regras do mercado chinês às quais está submetido o negócio, o comprador deverá ser revelado em comunicado à bolsa chinesa. Ele terá, então, o prazo de cinco dias para aportar 30% do valor oferecido a partir da data de entrada em vigor de um contrato de transação de direito de propriedade.

 

A empresa pretende deixar o controle da operação por causa de sua baixa rentabilidade. Foram investidos US$ 400 milhões na fábrica paulista, a primeira fora da China, inaugurada em 2014, ano em que o mercado brasileiro dava sinais de que entraria em queda acentuada. De lá para cá a empresa trabalhou para emplacar no mercado seus dois modelos produzidos aqui, QQ e Celer, tendo que lidar, paralelamente, com sucessivas paralisações geradas por greves e a intensificação da crise no setor, que a levou a trabalhar com 10% de sua capacidade.

 

Os últimos movimentos da Chery na China indicam que a empresa traça planos para fortalecer a sua presença no mercado externo. A companhia já é a maior exportadora de automóveis do país – até agosto, suas remessas representaram 9,4% do total das exportações de automóveis da China. O plano, agora, seria consolidar-se em mercados estratégicos. Na Europa, onde não possui fábrica, já há os primeiros passos: criará uma nova marca para seus veículos, sobretudo os modelos SUV.

 

Em setembro, segundo a CAAM, a associação das fabricantes chinesas, a exportação de automóveis foi de 83 mil unidades, um aumento de 13% do que no mês passado e de 38,9% em relação ao ano anterior. Os automóveis de passageiros atingiram 61 mil unidades, um aumento de 45,5% ano a ano. Nos primeiros nove meses, a exportação atingiu 623 mil unidades, um aumento de 26,3% ano a ano. os automóveis de passageiros atingiram 434 mil unidades, um aumento de 35,6% ano a ano.

 

No Brasil, segundo fontes ouvidas por AutoData, a empresa visualizou oportunidades de crescer no mercado com o auxílio de um sócio com forte presença no varejo local, como é o caso, por exemplo, da CAOA, que produz Hyundai em Anápolis, GO, e comercializa Subaru e Ford. A informação segue sem confirmação pela empresa. Por meio de sua assessoria de imprensa a Chery disse que ainda não foi informada pela matriz sobre o assunto.

 

São três os acionistas da companhia listada na bolsa de Anhui: a controladora Chery Automobile, empresa estatal de Wuhu, cidade onde está instalada a matriz, e que quer passar adiante o controle da operação brasileira, tem 50,07%, a Chery Investment é dona de 34,19% e a Wuhu Purui Automobile Investment detém os 15,74% de cotas restantes.

 

Foto: Divulgação