Randon inaugura planta em Araraquara

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28/03/2018

A Empresas Randon, de Caxias do Sul, RS, deram início, na quarta-feira, 28, às operações da fábrica de implementos rodoviários e de vagões ferroviários que localizou em Araraquara, SP. Projeto idealizado em 2012 e que teve pedra fundamental assentada em 2014, sua quinta fábrica de implementos absorveu investimento de R$ 100 milhões, dos quais 60% financiados por meio de recursos do BNDES.

 

A unidade, que começou a operar em janeiro com a geração de cem empregos diretos, teve as obras paralisadas em 2016 em função da crise. Foram retomadas em março do ano passado. Com área construída de 25 mil m² em terreno de 125 hectares a unidade é considerada modelo em termos de processos e leiaute de produção.De acordo com David Randon, diretor presidente do grupo, “o modelo é resultado do trabalho de mais de setenta pessoas, é uma planta diferenciada, com velocidade e flexibilidade de produção, e preparada para receber projetos futuros. É uma das mais modernas plantas em vagões ferroviários do mundo”.

 

A planta tem capacidade instalada para 2 mil unidades/ano -- semirreboques canavieiros, furgão carga geral e sider, e vagões ferroviários. De acordo com o diretor corporativo da divisão montadoras, Alexandre Gazzi, além da produção a planta permitirá que a empresa ingresse em mercado potencial no segmento ferroviário, o de reformas de vagões: “O Brasil tem uma frota bastante antiga, precisando de manutenção”.

 

Inicialmente a produção está centrada na média diária de 6 unidades de semirreboques canavieiros, ramo agrícola que está em seu período de safra, que vai de novembro a abril. Na sequência dará início à produção dos vagões, começando pelos modelos gôndola, para transporte de minério de ferro, e hopper, para diversos tipos de grãos, açúcar e fertilizantes.

 

David Randon lembrou que, antes de optar por Araraquara, a Randon analisou mais de vinte opções em várias regiões do Brasil. Decidiu pela cidade paulista em razão da localização, próxima de terminais ferroviários, e por estar inserida na principal região canavieira do País. Ainda citou a infraestrutura, com oferta abundante de energia e estradas, bem como pessoal qualificado: “Foi mais de um ano de prospecção e análise até a escolha”.

 

O presidente do conselho de administração, Alexandre Randon, assinalou a expressiva economia que a transferência da produção de vagões de Caxias do Sul para Araraquara proporcionará. Segundo ele o custo de transporte de cada unidade, do Sul para a Região Sudeste, onde se concentra a maioria dos clientes, gira de R$ 12 mil a R$ 15 mil.

 

David Randon recordou que a planta de Araraquara está estruturada em três fases. O encaminhamento das duas próximas depende, essencialmente, da recuperação da economia. Mas reconheceu que há análises para projetos de longo prazo: “Acreditamos que o País retomará seu crescimento, mas o momento ainda é difícil. Mas podemos, futuramente, até mesmo transformar esta planta em um site, como temos em Caxias do Sul”.

 

O vice-presidente de administração e finanças, Daniel Randon, destacou que o cenário atual é favorável e em recuperação desde o terceiro trimestre do ano passado: “O resultado da Fenatran foi indicativo muito forte da retomada. Com PIB previsto em 3% e taxa Selic em baixa, temos boas perspectivas para o ano, embora o cenário político instável preocupe”.

 

David Randon disse que espera que o próximo governo seja mais estável e faça as reformas que o Brasil precisa.

 

O início da operação em Araraquara já repercute em mudanças na unidade de Caxias do Sul. Embora flexível, com capacidade para produzir diferentes linhas de produtos, a operação perde em velocidade. A abertura de espaços ocupados por vagões, canavieiros e furgões carga geral e sider permitirá reorganizar a operação e a definição de portfólio de produtos por planta. Gazzi destaca que Caxias do Sul continuará sendo a fabricante de todas as plataformas dos veículos rebocados, de várias famílias de implementos e responsável por 95% das exportações.

 

David Randon observou que a operação de Caxias do Sul já está estrangulada e que a unidade de Araraquara trabalha com horas extras: “Creio que poderíamos ter iniciado as atividades uns quatro meses antes”.

 

Gazzi projetou que, mantida a demanda atual, a unidade paulista feche o ano com 150 a 180 funcionários.

 

Além de Araraquara a Randon tem ainda unidades de produção de implementos rodoviários em Caxias do Sul e Chapecó, SC, esta com foco em equipamentos frigorificados. Há mais duas no Exterior: em Rosário, Argentina, e em Lima, Peru, recentemente entregue. Também mantém parcerias para montagem de rebocados como a Etiópia, na África.

 

Fotos: Ale Carolo e Maicon Dewes.