Rota na rua

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05/07/2018

 

São Paulo – Enfim o governo divulgou no começo da noite de quinta-feira, 5, o Rota 2030, programa que guia os passos da indústria automotiva nacional para os próximos anos.

 

Após quase um ano de expectativa e pelo menos sete meses de atraso – o Inovar Auto, antigo programa automotivo brasileiro, deixou de vigorar em 31 de dezembro do ano passado –, representantes da indústria se reuniram com o presidente da República no Palácio do Planalto para assinar uma Medida Provisória, um decreto presidencial e um Projeto de Lei para o setor automotivo.

 

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A MP, que será publicada na edição de sexta-feira, 6, do Diário Oficial da União, trata do Rota 2030 Mobilidade e Logística e traz regras para eficiência energética, segurança veicular e pesquisa e desenvolvimento. O decreto presidencial, por sua vez, reduz as alíquotas do IPI para veículos híbridos e elétricos por meio de uma tabela referencial. Por último, o projeto de lei – que ainda passará pelo Congresso Nacional – atende a uma demanda das montadoras premium, de usar o crédito presumido de IPI do Inovar Auto.

 

Para Antonio Megale, presidente da Anfavea, foi um dia histórico para a indústria automotiva brasileira. “O Rota 2030 é um marco para a indústria automotiva nacional, que representa 22% do PIB industrial do País e vem cumprindo seu papel na recuperação econômica, gerando empregos e puxando a produção industrial”.

 

O executivo ressaltou a previsibilidade e segurança jurídica que o programa concede ao setor, uma vez que define a regra para os próximos quinze anos – ou três ciclos de desenvolvimento de produtos. Megale e José Luiz Gandini, presidente da Abeifa, afirmaram que essas definições são fundamentais para os planejamentos de investimento das companhias.

 

Megale ainda destacou o apoio que o programa dá à pesquisa e desenvolvimento, especialmente no momento em que a indústria global investe em conectividade, eletrificação e Indústria 4.0, dentre outros itens.

 

“Com o Rota 2030, o País será fortalecido por vários motivos. Os veículos oferecidos no mercado serão cada vez mais eficientes, seguros e sustentáveis, reduzindo as emissões de CO2 e melhorando o meio ambiente e qualidade de vida da sociedade. O País ganha ao manter uma indústria automobilística ainda mais forte, capaz de competir no mercado mundial devido aos investimentos em P&D. E a indústria passa a ter mais previsibilidade e segurança jurídica, permitindo um planejamento adequado para continuar investindo no Brasil”.

 

Repercussão – Gandini, presidente da Abeifa, estava presente no anúncio do novo programa automotivo e disse que o Rota 2030 permite às empresas, incluindo as importadoras, planejarem melhor os seus investimentos.

 

Para Mauro Correia, presidente da Caoa Montadora, a ação do governo foi positiva. “Agora sabemos o que se espera do País em termos de política industrial. Agora as empresas podem se planejar mirando o longo-prazo".

 

Embora traga um horizonte para as montadoras, o Rota 2030 ficou devendo como política industrial. Uma fonte do setor afirmou à Agência AutoData que, para fazer a indústria crescer e se desenvolver, o programa deveria abranger outros quesitos. “O Rota 2030 traz uma série de regulamentações para o setor, mas como política industrial ficou muito débil”.

 

Colaboraram Bruno de Oliveira e Caio Bednarski

 

Foto: Divulgação