Montadoras de caminhões fecham carteira do ano

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Caxias do Sul, RS - Gargalos na cadeia automotiva, em especial de componentes eletrônicos importados, têm se constituído em obstáculo para o crescimento ainda mais consistente do mercado de caminhões no Brasil. Mesmo assim montadoras como Volvo e Iveco estão com suas carteiras de pedidos praticamente fechadas para este ano e iniciando negociações para entregas no primeiro trimestre de 2019. O cenário atual e futuro foi explicitado por Alcides Cavalcanti, gerente nacional de vendas de caminhões da Volvo, e Idam Stival, gerente comercial de caminhões da Iveco, durante painel no Fórum de Veículos Comerciais, realizado pela AutoData Editora, na segunda-feira, 20, na CIC, Câmara de Indústria, Comércio e Serviços, em Caxias do Sul, RS.

 

De janeiro a julho, pelos dados da Anfavea, foram licenciados 26 mil 121 caminhões pesados e semipesados, crescimento de 70% sobre igual período do ano passado, que teve total de 32 mil 289 emplacamentos de modelos acima de 16 toneladas. Em pesados e extrapesados o incremento já é de 90% e o volume de 17 mil 91 unidades vendidas, de janeiro a julho de 2018, é apenas 9% inferior ao de todo o ano passado. Para Cavalcanti este segmento deve alcançar perto de 33 mil licenciamentos até dezembro, incremento de 75%. O gerente da Volvo destacou o desempenho do modelo FH 6x4, que foi o mais vendido em todo o mercado nacional a partir da faixa de 3,5 toneladas. O forte incremento fez com que, em fevereiro, a Volvo abrisse o segundo turno de produção em Curitiba, PR.

 

No entendimento de Cavalcanti os números devem continuar evoluindo no ano que vem, influenciados pela safra agrícola, ainda que eventualmente inferior às anteriores, expectativa do PIB em 2,5% e redução nos custos do transporte, associada a uma elevação de receita no setor, que tende a ficar mais concentrado. Dados da ANTT, Agência Nacional de Transportes Terrestres, apontam para uma redução de 25% no número de empresas transportadoras e de 40% no de motoristas autônomos. Como obstáculos citou as incertezas políticas, o câmbio, por interferir nos custos de conteúdos importados, a alta dos juros nos Estados Unidos, elevação de custos de matérias-primas e insumos e as influências climáticas sobre o desempenho da safra agrícola.

 

Idam Stival, da Iveco, estimou que todo o segmento de caminhões feche este ano com alta de 25% sobre o ano passado, alcançando em torno de 60 mil unidades. Acredita que, em 2019, no mínimo estes números serão repetidos, com tendência a serem melhores. Diante do cenário positivo disse que a empresa ainda não definiu se haverá férias na fábrica no fim de ano.

 

Também projetou que os modelos abaixo de 16 toneladas, com desempenho atual inferior aos médios e pesados, terão incrementos mais representativos em 2019: “Temos visão positiva para o fechamento deste ano e para os resultados do próximo”.

 

Ele confirmou lançamento de mais um produto Iveco este ano e de três para 2019.

 

Norberto Fabris, presidente da Anfir, Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários, projetou o licenciamento de 78 mil a 83 mil unidades, este ano, representando acréscimo de 28% a 37% sobre o volume de 2017. O maior impulso virá do segmento de reboques e semirreboques, variando de 56% a 64%, e somando de 39 mil a 41 mil unidades. O desempenho de carrocerias sobre chassis será menor, podendo ir de 10% a 18%, com vendas de 39 mil a 42 mil veículos. Até julho foram vendidos 23 mil 411 rebocados e 23 mil 263 leves.

 

Ele chamou a atenção para a inversão na participação dos setores nas vendas de implementos rodoviários. Os veículos pesados, que tinham em anos anteriores representatividade média de 35%, chegando a 40% em 2017, deverão ficar próximos dos 50%. Para 2019, Fabris aposta na continuidade do crescimento, independentemente do resultado das eleições do de outubro.

 

Foto: Julio Soares.